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[Entrevista] - Luiz Gastão Bittencourt, presidente do Sistema Fecomércio

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Fotos:J.Guedes
Luiz Gastão - presidente do Sistema Fecomércio
O presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Gastão Bittentourt, esteve em Iguatu na manhã da quarta, 14/02, participando de encontro no Sesc com lideranças, autoridades e funcionários do Sistema, incluindo Senac, Sesc e Sindilojas. Gastão falou com exclusividade ao A Praça sobre o projeto de ampliação da sede do SENAC em Iguatu, criticou o PAC-Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal, disse que o Ceará precisa de mais investimentos, e reduzir a sobrecarga de impostos. O presidente disse que é contra a redução da maioridade penal, e só com a Educação e investimentos em políticas públicas na área social, com oportunidades de trabalho para os cidadãos e os jovens, será possível mudar o quadro de violência no país.

A Praça - Qual o objetivo de sua visita a Iguatu?

LG - Nós viemos avaliar com a equipe o trabalho realizado no ano passado, ver os projetos que serão realizados nesse ano, parabenizar também a equipe do Sesc e do Senac, pelos serviços prestados à Região, no ano passado, principalmente a equipe do Senac. Todas as duas equipes se saíram muito bem, mas a equipe do Senac de Iguatu foi campeã em relação à superação de metas estipuladas em nosso cronograma de atividades. Então nós avaliamos com a equipe todo o processo e continuarmos também os investimentos que serão feitos em Iguatu, dando continuidade a essa parceria que é extremamente positiva para esses resultados também, com a Prefeitura de Iguatu, através do prefeito Agenor Neto e toda equipe dele.

A Praça - O senhor destacaria alguma ação de maior relevância nesse avanço de superação de metas do Senac?

LG - Olha, no Senac nós superamos as metas em todas as áreas de atuação. Tanto no Sesc, como no Senac nós superamos as metas, mas o Senac de Iguatu foi o que melhor se saiu em todo Estado. Isso em todas as áreas, desde a gerência da gestão de negócios, com relação à moda e beleza, e principalmente na área de comércio e gestão.

A Praça - Há um projeto do sistema Fecomércio para o ano de 2007 de construir a sede própria do Senac em Iguatu?

LG - Nós estamos com o terreno da sede, vamos retomar as negociações com o prefeito, para vermos se vamos construir nesse próprio terreno, ou se vamos buscar uma parceria para construir em outro. Nós tivemos aí uma série de projetos que foram colocados para um segundo momento, por causa do ‘Super Simples’, porque esses investimentos que nós temos feito, têm sido com o apoio do Senac nacional e do Sesc nacional e houve uma retração desses investimentos por conta do Super Simples e da possibilidade de que queda na arrecadação do sistema ‘S’, que já vem nesses últimos dois anos vem sofrendo queda. Mas deveremos iniciar as obras de Iguatu, ou fazermos as obras de Iguatu ainda esse ano. A nossa vontade, a nossa persistência vai ser iniciar essas obras ainda nesse ano.

A Praça - O senhor acha que a aprovação do Super Simples pode atrapalhar o sistema ‘S’ em seus projetos?

LG - Não. O ‘Super Simples’ já foi aprovado e pode atrapalhar na geração dos recursos necessários para a realização dessas obras, mas nós estamos brigando ainda, inclusive na coleta de assinaturas, buscando o apoio da comunidade e da sociedade, como um todo, para que o sistema ‘S’, Sesc, Senac, e o Sebrae, que também está sendo extremamente prejudicado, também entrem no bolo do Super Simples. Ninguém é contra, que o empresário pague menos imposto e que você tenha o incentivo para a micro e pequena empresa. Eu acho que é necessário que o bolo da arrecadação tenha uma parcela, que possa ser também usada, quer pelo Senac. Que possa ser distribuída, como está sendo distribuída para a Previdência, distribuída para o governo federal, para que essas entidades que têm relevantes serviços prestados ao micro e pequeno empresário ela não seja prejudicada por conta disso.

A Praça - O empresariado do Ceará, principalmente no Centro-Sul, reclama muito da sobrecarga de impostos do governo do Estado. O senhor acha que isso é um desafio para o novo governador do Ceará, tentar reduzir a sobrecarga de impostos e incentivar a geração de empregos?

LG - Olha, essa preocupação da falta de se fazer uma reforma tributária, discutir o país, e o próprio PAC, que foi aprovado pelo governo federal agora, ele traz investimentos muito ‘pífios’ para a Região, e para o Estado. O governo está disponibilizando R$ 1,6 bilhões para investir nos próximos quatro anos, quando nós sabemos que o Estado do Ceará tem um poder de arrecadação, tem um poder de investimento e de endividamento de R$ 2,5 bilhões. Então ele poderia utilizar isso como contra-partida, e poderia exigir algo em torno de R$ 10 bilhões de investimentos para os próximos quatro anos. Então, esse PAC vai ajudar, não deixa de prestar ajuda, mas o Estado do Ceará merecia muito mais e merece muito mais.

A Praça - Na sua opinião, quais são os pontos negativos do PAC?

LG - Primeiro em volume de investimentos, em segundo lugar nós precisamos discutir realmente a reforma tributária, precisamos rediscutir o papel do Estado, e as políticas econômicas que serão implementadas. Então, uma discussão realmente sobre que país nós queremos e que forma de governo nós queremos. Isso não está sendo discutido, a própria reforma política está em segundo plano, então, o PAC, ele busca ter um cronograma nessa relação, mas se ele não contar com a reforma tributária que traz a estabilidade será difícil convencer os empresários brasileiros a investirem até no próprio país. No ano passado nós tivemos algo em torno de R$ 27 bilhões de reais investidos no exterior por empresários brasileiros, enquanto tivemos apenas R$ 18 bilhões investidos no Brasil por empresários estrangeiros. Então a gente vê que os empresários brasileiros começam a investir mais lá fora do que aqui dentro. Se por um lado, as nossas empresas nacionais se tornam multinacionais e começam a ter um outro papel, por outro lado também nós estamos deixando de gerar emprego e renda em nosso país e desenvolver a nossa terra. O governo tem que tomar alguns cuidados com relação a isso, para que a gente não sofra mais ainda.

A Praça - Em relação ao episódio que chocou o Brasil, com a morte do menino João Hélio, de 6 anos, que foi arrastado por sete quilômetros num carro roubado da família dele, por uma quadrilha de assaltantes do Rio de Janeiro, envolvendo menores. Qual é o olhar do senhor sobre este quadro da violência no Brasil e a falta de políticas públicas que possam atender a população?

LG - Você tocou num ponto muito importante, porque quando você coloca a questão da violência, você não pode deixar de ver a falta de oportunidade, para todos os segmentos da sociedade. Enquanto nós não tivermos efetivamente uma educação básica de qualidade, uma saúde de qualidade, com oportunidades para todas as camadas sociais, nós vamos ter uma facilitação da entrega de nossos jovens à marginalidade, porque às vezes, eles buscam o caminho mais fácil para atender suas necessidades, muitas vezes pela falta de atendimento, muitas vezes pela falta de apoio e a falta de oportunidades iguais entre as camadas sociais. Então, isso causa violência e causa estrangulamento. A violência no Rio de Janeiro é extremamente preocupante, porque nós começamos a ver uma disputa de ‘Milícias’ com o tráfico, e o Poder Público, o Estado passam a não ter mais controle sobre uma parcela da sociedade. Existe uma parcela significativa do Rio de Janeiro, que as suas leis, não são mais as leis do Estado. Tudo virou uma barbárie que culmina com ações de violência extrema, que realmente choca o Brasil todo, como o caso daquela criança que aconteceu no Rio de Janeiro. Então é um momento que nós temos que refletir, nós precisamos fazer uma intervenção nesse espaço, para voltarmos a tomar conta. Porque quando o país começa a perder o controle de suas fronteiras, começa a perder o controle de parte de sua população, isso é extremamente preocupante e mostra justamente a ineficiência que o Estado está tendo para cuidar de sua gente. Não podemos combater a violência só com violência. Temos que combater com oportunidades, para essas parcelas da população.

A Praça – Esse episódio traz à tona a discussão da redução da ‘maioridade penal’. O senhor é contra ou a favor?

LG - Eu sou contra. Sou contra você cada vez mais caminhar nesse rumo. Baixar a maioridade para 16 anos, e quando acontecer outra barbárie dessa, baixar para 14 anos e onde é que vamos chegar? Eu acho que criança, nós temos que cuidar. Nós temos que ter a preocupação, de ter uma escola em tempo integral, para que você tenha o acompanhamento dessas crianças, se você tiver até dentro de uma situação de transição desses jovens, que infelizmente, a partir dos seus 15 ou 16 anos, que possam desviar seus caminhos, que no campo da prevenção, eu sou favorável, quando ele ao completar 18 anos, que a gente tenha campos de recuperação, de ressocialização para esses jovens. Fala-se muito no próprio Sistema Previdenciário, no sistema penitenciário, que existe e eu tenho, eu administro uma empresa, que faz administração prisional e ressocialização, e tenho acompanhado, bem ali no Cariri, a gente tem conseguido excelentes resultados, dando oportunidade para os presos trabalharem, tendo emprego quando sai. E os índices de reincidência nesses casos têm sido de 2% a 4%, enquanto que a média nacional é de 84%.Então eu acredito, que se for feito um trabalho de ressocialização junto a esses jovens, de cuidar, naquilo que o Estado precisa investir, para que a gente possa efetivamente salvar essas vidas.

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