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[Entrevista] - Paulo Sérgio Nogueira Oliveira, Coronel do Exército Brasileiro

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O iguatuense Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, Coronel de Infantaria do Exército Brasileiro, será o representante da embaixada do Brasil no México por uma temporada de dois anos. Nomeado como ‘Adido Militar’, Paulo Sérgio terá a função de ‘assessor técnico’ do Embaixador brasileiro, representante das Forças Armadas no México. O trabalho que ele vai desempenhar naquele país, as experiências na convivência com um novo idioma e o novo período de adaptação, ele conta em entrevista exclusiva ao A Praça.

Foto:Arquivo pessoal
Coronel Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
A Praça - O senhor foi nomeado para trabalhar por um período de dois anos como “Adido Militar” na cidade do México, numa missão diplomática. Qual a função que o senhor vai desempenhar lá?

Cel. Paulo Sérgio -
No meu caso específico, fui designado para desempenhar a função de Adido de Defesa, da Marinha, do Exército e Aeronáutica, junto à Embaixada do Brasil no México, onde serei o assessor militar do Embaixador e representante do Ministério da Defesa e das três Forças Armadas brasileiras naquele país amigo.

A Praça - O que é um ‘Adido Militar’?

Cel. Paulo Sérgio -
O Adido Militar é o assessor técnico do Chefe da Missão Diplomática (Embaixador) para assuntos militares, sendo autônomo em suas atividades militares, que serão orientadas pelo Ministério da Defesa Brasileiro e pelos Comandos da Marinha, Exército e Aeronáutica.

A Praça - Qual o tipo de seleção que o senhor concorreu para ser nomeado?

Cel. Paulo Sérgio -
Concorrem à seleção oficiais no posto de Coronel, possuidores do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército, e com cerca de 30 anos de serviços prestados. Atingindo esta fase da carreira, o oficial já terá desempenhado praticamente todas as funções inerentes à profissão militar, onde adquiriu, ao longo do tempo, experiência, equilíbrio e bagagem profissional suficientes para representar o Brasil numa missão tão importante. Aliado a isso, o Exército analisa o desempenho profissional e pessoal do oficial, ao longo de toda sua carreira, avaliando-o sob vários aspectos, e registrando em seus bancos de dados a condição ou não daquele militar para o desempenho de determinada função. Ressalto que a Força Terrestre realiza este tipo de seleção para qualquer curso ou missão relevante que venha a nomear seus oficiais e praças, seja no exterior ou no próprio País. Ou seja, é levado em consideração, precipuamente, o mérito do militar adquirido ao longo de sua vida na caserna.

A Praça - Qual o peso do conhecimento do idioma estrangeiro no processo de seleção?

Cel. Paulo Sérgio -
No processo de seleção, é condição primordial a habilitação fluente no idioma do país em que o militar desempenhará sua função, no caso do México, o idioma espanhol. Como detalhe, acredito que pela proximidade e vizinhança do México com os Estados Unidos, torna-se ideal que o oficial selecionado tenha boas noções do idioma inglês.

A Praça - Como será para o senhor conviver com outros povos, outras culturas, outros costumes? O que vai fazer quando bater a saudade do Brasil?

Cel. Paulo Sérgio -
Será uma grande experiência profissional e pessoal, na medida em que a convivência com os Adidos Militares e famílias de outros países possibilitará excelente oportunidade de integração cultural, contatos com outros idiomas e, também, uma boa oportunidade para podermos difundir as tradições, os costumes e os valores do nosso País e do povo brasileiro. Para matar as saudades da nossa culinária, levarei um bom estoque de café, feijão, fubá e farinha. Não faltará, também, uma boa quantidade de CDs de músicas de todos os ritmos brasileiros, até mesmo o nosso forró “pé-de-serra” do meu amigo e cunhado Bêu Paulino. Outra maneira de atenuar a saudade da terrinha é usar as facilidades que a Internet possibilita ao usuário. Certamente os contatos serão quase diários. Serão dois anos de muita saudade dos familiares e amigos. 

A Praça - Qual a sua expectativa em relação à sua família no aspecto da adaptação?

Cel. Paulo Sérgio -
Inicialmente, a saudade dos dois filhos que ficarão será mais sentida do que a própria preocupação com a adaptação ao novo estilo de vida que se avizinha. Mas não deixa de ser preocupante. O militar normalmente está acostumado às agruras da profissão, por já ter servido, ao longo da vida, em regiões inóspitas e difíceis para a convivência social, como, por exemplo, a região da fronteira amazônica. Por isso, pessoalmente, acredito que não terei problema de adaptação. No entanto, para a família, no meu caso a esposa e o filho Lucas de 11 anos que me acompanharão, será uma mudança brusca. A adaptação vai requerer paciência e compreensão mútua, principalmente devido aos estudos do pequeno. Para isso, pai e mãe estarão atentos para que o prejuízo seja o menor possível.

A Praça - Além do jeito brasileiro nato, e do sotaque tipicamente cearense, o que o senhor vai levar na bagagem para o território mexicano?

Cel. Paulo Sérgio -
O povo mexicano é conhecido admirador das coisas do Brasil e do povo brasileiro - recordemos a Copa do Mundo de 1970. Por conta disso, já estou preparando uma porção de brindes e lembrançinhas do Brasil para os amigos estrangeiros, não esquecendo, logicamente, como bom cearense, de levar coisas típicas da cultura alencarina, como nossos artesanatos, nossa castanha de caju, nossa música (CD de todos os ritmos) e, porque não, nossa cachaça que faz um tremendo sucesso pelas bandas de lá, quando transformada na tradicional caipirinha. Por tudo, nossa esperança é que a adaptação seja rápida e sem problema. Outra inspiração que deverá facilitar nossa adaptação é a possibilidade de travarmos contato com as riquezas turísticas mexicanas, com sua história milenar baseada na civilização Maia e Asteca, além da oportunidade de conhecermos as maravilhosas praias de Cancún, Acapulco, Cozumel e tantas outras.

A Praça - Com quantos países do mundo o Brasil tem esta missão diplomática?

Cel. Paulo Sérgio -
O Brasil destaca Adido Militar para 38 países do mundo, assim distribuído: 12 países da América do Sul, 2 países da América do Norte, 5 países da América Central, 7 países da Europa, 6 países da Ásia e 6 países da África. Ressalto que em outros países existem missões diplomáticas (Embaixadas), não havendo a figura do Adido Militar. Afirmo, ainda, que pela importância de alguns países no cenário mundial, cada Força Armada destaca o seu Adido Militar. Nos EUA essa função é desempenhada por um oficial-general.
 
A Praça - Filho de Iguatu, como o senhor se sente em representar o Exército Brasileiro nesta missão?

Cel. Paulo Sérgio -
Gratificado, orgulhoso e muito feliz em representar nossa terra natal. É difícil imaginar que um iguatuense de família humilde, com origem estudantil no Grupo Escolar Carlota Távora e no Colégio Diocesano, que saiu para estudar no Colégio Militar de Fortaleza aos 11 anos de idade, e ter tido a graça de ser orientado e de escolher a carreira militar, sem nenhuma origem familiar nesta profissão, hoje, aos 48 anos de idade, à base de muito esforço, ser destacado pelo Exército Brasileiro para desempenhar tão significativa missão, é, realmente, muito gratificante, e tudo farei para bem representar o meu Exército, o meu Ceará e o meu País, sempre com a graça e a proteção divina.

Comentários  

 
#3 Euclides da silva 08-06-2012 23:29
Foi uma honra para mim ter servido ao Exército,sob o comando do cel.paulo sérgio no 10ºBi em Juiz de Fora,tudo de bom para senhor Coronel.
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#2 Carlos DIONISIO 07-06-2012 12:57
Parabéns meu instrutor da turma Tiradentes NPOR 1982 no 15 BIMtz. Você foi um exemplo de instrutor, dedicado e fazia as coisas com muito amor, olha aí o resultado. (Aluno 22-Dionísio)
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#1 AntonioMartinsROCHA 25-05-2010 19:23
Muito bem Paulo Sérgio,como Cap R1 e pai de um Adido na Guatemala, Cel César, fiquei emocianado com a entrevista dada ao jornal de sua cidade. O que mais me impressionou,fo i a maneira como vc falou das coisas da nossa terra, sem nunca esquecer suas raizes. Que Deus ilumine a ti e familiares. Abrs Rocha
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