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[Entrevista] - Roberto Smith - Presidente do Banco do Nordeste do Brasil

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O município de Iguatu recebeu na quinta, 21, a visita do presidente do Banco do Nordeste do Brasil-BNB, Roberto Smith. Ele veio ao município acompanhado do superintendente estadual da instituição, Izidro Morais, para participar da solenidade de inauguração das novas instalações da agência do BNB de Iguatu. O presidente concedeu entrevista exclusiva ao jornal A Praça, fez explanações sobre os investimentos do BNB no Centro-Sul, e falou do momento vivido pela economia brasileira, o processo eleitoral em curso e também de inadimplência.

Foto: J.Guedes
Roberto Smith é presidente nacional do BNB
“Essa história de dizer que o povo brasileiro não sabe votar, muitas vezes é um discurso das elites.”

A Praça - O BNB é hoje um dos maiores parceiros dos empresários e comerciantes da região com abertura de linhas de financiamentos e crédito que alcançam diversas áreas.  Qual a importância desses investimentos para a região Centro-Sul e para Iguatu?

Roberto Smith - A gente pode entender pelo próprio depoimento dos empresários daqui de Iguatu e da Região, da enorme importância do Banco do Nordeste. São depoimentos que eu tenho ouvido desde que cheguei aqui e que espelham um reconhecimento da ação do banco. Um banco que está numa fase de expansão, chegando junto com o foco no cliente, abrindo novas linhas de atendimento, sobretudo nessa novidade, que é o crédito para capital de giro, crédito das operações de curto prazo e apoio nas operações de longo prazo. Eu acho que o Banco está chegando junto, é um banco hoje reconhecido como um banco que atende aos empresários em toda Região.

A Praça - Em 2005 e 2006, o BNB atingiu números recordes em liberação de recursos dentro de linhas de financiamentos para atender projetos de pequenos produtores rurais, através do Programa de Agricultura Familiar - Pronaf. A que se deve essa grande demanda?

Roberto Smith - Eu acredito que seja a descomplicação do crédito. Quando nós assumimos fizemos um enorme esforço para desburocratizar o atendimento. Você imagine que eu recebia uma comissão do MST - Movimento dos Sem Terra, dentro do próprio banco e eles me mostraram que cada família assentada era obrigada a assinar e preencher dez folhas de papel e tudo mais e a gente estabeleceu formas muito mais simplificadas de atendimento e agora estamos passando por uma reformulação total sobre tudo com o Agroamigo em que a gente está aliando a assistência técnica junto com o processo de crédito dentro de uma fórmula que foi copiada do Micro-Crédito do nosso ‘Crediamigo’ e que tem dado muito certo e tem operado numa taxa de inadimplência bastante baixa.

A Praça - Os recursos liberados pelo BNB têm sido influentes no fortalecimento da economia local. O dinheiro das linhas de financiamento acaba circulando no comércio e até ajudando a ampliar as vendas.  O BNB vai continuar trabalhando nesta mesma vertente em 2007?

Roberto Smith - Vai. Não só em 2007, mas nós começamos agora com um vigor muito grande também em cima do apoio da área comercial. Nós lançamos em Fortaleza na semana passada um programa, juntamente com a CDL de Fortaleza, que agora também está sendo espalhado para todo Estado, que nós estamos chamando de programa B.R.O. BRO, que visa atender a formação de estoque, com vistas as festas de final de ano, quando as vendas se tornam mais significativas. Isso dever ser ampliado. Temos taxas de juros hoje que são as mais baixas do mercado, com um grau de carência que atende aos interesses do comerciante, e é mais uma linha que nós estamos colocando à disposição.

A Praça -Há muita inadimplência nesta área dos empréstimos para pequenos projetos? Como o Banco está lidando com essa questão?

Roberto Smith - De 2003 para cá, o Banco, ele cresceu no seu volume de aplicações da ordem de R$ 600 milhões para mais de R$ 6 bilhões e a nossa taxa de inadimplência hoje é a mais baixa jamais atingida. Nós estamos num nível hoje de todo sistema financeiro nacional espelhado pelos indicadores da Febraban, isso porque nós instalamos agências de recuperação de crédito, instalamos formas mais adequadas de operação nas agências, hoje cada gerente, ele administra a inadimplência e os resultados estão aí. Então porque não adianta nada um banco crescer crescendo a inadimplência, e nós tivemos então, a inadimplência marchando no sentido contrário.

A Praça - Há investimentos do BNB em programas de natureza cultural e social previstos para o Centro-Sul?

Roberto Smith - Nós avançamos com a criação do Centro Cultural de Juazeiro, e isso deve se espraiar por toda a região. A gente acredita que Iguatu recebe também os benefícios. Aqui, nós estamos hoje também relembrando a figura marcante de Humberto Teixeira, homenageado justamente nesta agência, um filho de Iguatu. Infelizmente, a filha de Humberto Teixeira deveria ter vindo conosco, mas como ela mora em Nova York e teve um problema, o avião que deveria sair de lá teve um retardamento e ela não ia conseguir chegar na hora, e eu até brinquei com ela e disse: “Denise, venha que nós inauguramos a agência de novo”.

A Praça - O senhor é hoje um dos nomes mais conceituados da economia brasileira. Na sua opinião o Brasil já conseguiu construir uma base sólida para emergir com o país de economia forte e menos vulnerável às intempéries do mercado?

Roberto Smith - Eu acho que nós avançamos muito nesse sentido. Hoje, toda fragilidade financeira, envolvida na nossa dívida externa, está praticamente bem equacionada. Avança-se agora no equilíbrio da dívida interna com a redução dos gastos públicos. Agora o Brasil precisa avançar muito em termos de adquirir competitividade a nível internacional, sobretudo para chegar a um nível de competição, hoje com a China, que é o país que assombra em crescimento da economia, e nós temos hoje uma consciência disso, o BNB trabalha com um planejamento nesse sentido, é por isso que nós temos certas linhas de conduta, em termos de política industrial, no sentido de que se possa, avançar melhorando, melhorando o que representa hoje o custo/Brasil.

A Praça - Este ano o presidente Lula conseguiu feito histórico ao quitar a dívida com o FMI  antecipando em mais de um ano o pagamento, gerando uma economia para o país somente com os juros de quase um bilhão de dólares. Se o atual governo conseguiu, porque isso não ocorreu antes e o Brasil ficou tanto tempo a mercê da dívida externa?

Roberto Smith - É, os erros da política econômica anterior foram bastantes palpáveis e cobrados um enorme esforço para se recobrar toda essa normalidade dos parâmetros adequados para a economia brasileira. Eu acho que hoje a economia, ela está bem estabilizada, isso também não impediu um forte esforço no sentido de uma política social abrangente, isso se espelhou numa melhoria do quadro de distribuição de renda no Brasil e sobre tudo no Nordeste. Uma melhoria que hoje nós temos uma população de mais de 2,5 milhões de habitantes no governo Lula, que saíram da posição do ‘abaixo da linha da pobreza’, o que tem feito revigorar o mercado interno, isso tem animado o setor comercial e o banco tem trabalhado fortemente no sentido de que os efeitos na produção, também na região venham ser instalados gerando um maior encadeamento e geração de renda.

A Praça - O Brasil está vivendo um momento muito importante em relação às eleições para governadores, senadores, deputados e presidente da República. O senhor acha que o povo brasileiro já aprendeu a votar de fato?


Roberto Smith - Essa história de dizer que o povo brasileiro não sabe votar, muitas vezes é um discurso das ‘elites’, daqueles que realmente muitas vezes acham que se não podem ganhar uma eleição, preferem uma situação de volta aos quadros da Ditadura, da exceção. Eu sempre afirmo que o povo tem a sua sabedoria, tem a sua sensibilidade e acho que sabe votar sim.

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