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[Entrevista] - Dom Antonio Tosi, arcebispo de Fortaleza

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No sábado, 14, aconteceu em Iguatu um dos mais importantes momentos para a igreja Católica, quando foi celebrada a Dedicação do templo da nova catedral de São José. 14 bispos estiveram presentes incluindo o arcebispo da Diocese de Fortaleza. Com exclusividade o A Praça entrevista dom Antonio Aparecido Tosi Marques.

Dom Antônio Tosi A Praça - A comunidade católica iguatuense vive um momento muito importante quando foi realizada a Dedicação do novo templo. Qual o significado desse acontecimento?

Dom Antonio Tosi - A Dedicação de uma Catedral pela diocese é um momento simbólico muito significativo. A Catedral é onde está a cátedra, quer dizer a cadeira de pastoreio de um bispo. Então inaugurar uma construção que simboliza a própria comunidade, o povo de Deus. Tudo aquilo que se celebra ali dentro, aquilo que se vive depois do dia-a-dia, na vida da Catedral tem tudo a haver com o próprio pastoreio de um bispo, como sucessor dos apóstolos reunindo esse povo de Deus. O templo é símbolo da própria comunidade humana em que os tijolos vivos, as pedras vivas são as pessoas reunidas na mesma fé, unidas na mesma união com Deus formam o verdadeiro templo de Deus. Uma comunidade onde Deus mora. Então a comunidade unidade tendo seus pastores, o bispo como pastor maior da Diocese à frente anunciando o evangelho, chamando as pessoas ao seguimento de Jesus, formando a família de Deus é simbolizada depois no templo material.

A Praça - Qual os significado dos ritos realizados durante a cerimônia de inauguração da catedral?

Dom Antonio Tosi - É um ritual muito rico porque como a própria construção representa a vida da igreja cada passo da Dedicação da Catedral, mostra um aspecto da vida igreja, por exemplo, é pelo batismo que nos tornamos filhos de Deus e nos unimos nesta família espiritual. Então a bênção da água bastimal sobre as paredes da igreja quer significar isto, aquilo que acontece com as pessoas depois é representado e acontece na realidade material. O povo de Deus é reunido pela palavra do Evangelho, é a palavra do Evangelho que instrui na fé e faz as pessoas darem o seu sim de fé. Com o anúncio da palavra de Deus o próprio instante, o próprio púlpito de onde a palavra é anunciada se torna um sinal abençoado. O próprio altar se torna a representação de próprio Jesus. O templo tem 12 cruzes, dozes fundamentos. Na verdade a marca é consagrada passo a passo simbolicamente dentro da realidade viva de cada da comunidade. É um ritual que se precisa viver.

A Praça - O Santo Papa João XXIII, ao criar a Diocese de Iguatu, pediu ao Bispo eleito dom Mauro que construísse a Catedral da Diocese. Como o senhor vê depois de alguns anos esse sonho ser realizado?

Dom Antonio Tosi - Quem cria uma diocese e põe um bispo é o Papa. Então fazer acontecer tudo aquilo que o Papa colocou na sua carta de fundação dessa diocese e que tudo pudesse ser se concretizando é um sinal de grande comunhão da igreja. E por outro lado indica uma grande maturidade dessa Diocese. Significa que essa diocese está se constituindo. Ela está como o povo de Deus, sendo maduro, crescendo se formando como esse povo de Deus. Isso é simbolizado nesse momento muito bonito em que uma igreja catedral é dedicada a Deus como o lugar de referência de todo esse povo de Deus que é a Diocese de Iguatu.  

A Praça - A imprensa tem relatado que a igreja católica vai fechar 100 templos na Alemanha por falta de fiéis. Enquanto isso no Brasil a cada dia são construídos novos templos. Como o senhor vê esse paradoxo? 


Dom Antonio Tosi - A igreja com dois mil anos de existência já viu acontecer coisas semelhantes em outros lugares, em outras épocas. Nas primeiras comunidades, primeiras grandes igrejas, comunidades vivas fundadas pelos próprios apóstolos, foi no perímetro do mar mediterrâneo a começar do Oriente Médio, até Roma, até Espanha, ocupando todo o espaço do mundo conhecido naquela época. Então na Turquia por exemplo, estão as primeiras grandíssimas igrejas, lá morou o apóstolo João, lá pregou Paulo, outros primeiros que fundaram as primeiras grandes comunidades. Ali deixaram seus sucessores os primeiros bispos. Essas igrejas no decorrer da história por muito motivos, por exemplo de guerra, de destruição, de exílio elas desapareceram. Não existem mais numa época aquela região foi muito florescente da presença da igreja, hoje menos. Outra época foi no norte da África, tempo de Santo Agostino. A Europa foi o grande campo de crescimento da igreja em todo primeiro milênio e até o segundo milênio. Nós vemos em alguns lugares principalmente na Europa Norte e Centro-Norte situações muito delicadas hoje em dia. No que crescendo muito materialismo, desapareceu muito a vivência religiosa. Existem algumas formas novas de religião, mas de um modo em geral o povo é indiferente a fé, indiferente a religião, isso fez com que comunidades que foram muito florescente naquela região é muito menor. Foram comunidades que mandaram missionários para o mundo inteiro. Então outro se deslocou o lugar da existência de comunidades maiores. A gente vê isso como um drama da história porque o dom de Deus é dado aos corações humanos. O evangelho é anunciado às pessoas e as pessoas com inteligência e liberdade podem dizer o seu sim, ou seu não. Aqueles que dizem sim vêem o fruto crescer, aqueles que dizem não vêem o fruto diminuir. Quer dizer: Deus não faz as coisas de um modo forçando a natureza humana. Pelo contrário, ele faz a sua obra chamando a uma colaboração livre a humanidade. Se a humanidade responde mais em certo momento em algum lugar, ali se vêem frutos maiores, se outra humanidade responde menos em outro lugar ali diminuem os frutos.        

A Praça - Em relação ao surgimento de igrejas protestantes no Brasil. Qual sua opinião sobre este assunto e como o senhor vê o convívio dos católicos com os irmãos de outras religiões?

Dom Antonio Tosi – A pluraridade religiosa que nós vivemos hoje tem de fato muitos motivos. Eu acredito que um grande motivo foi toda uma mudança cultural. Que está acontecendo, e a valorização da liberdade das pessoas.
Não se pode impor às pessoas as escolhas que elas devem fazer numa liberdade de opções que as pessoas vão encontrando. Faz com quer muitas possibilidades possam ser escolhidas, quer dizer não se pode simplesmente obrigar as pessoas a ter tal decisão de religião, de política ou de escolha de vida. As pessoas têm a liberdade agora essa liberdade deve ser bem informada e deve ser iluminada com inteligência, com conhecimento para fazer a escolha certa. Nós vemos no nosso mundo que nem sempre as escolhas são escolhas feitas bem feitas. Então pessoas escolhem também por motivo religioso, seguir tal religião, ou tal manifestação religiosa, grupo religioso, muitas vezes por motivos de buscas sinceras, mas outras vezes por outros interesses. De resolver imediatamente todos seus problemas, de querer uma solução mágica para todas as coisas. Tudo isso cria uma situação em que se multiplicam cada vez mais, vamos dizer assim, nomes de denominações religiosas, e as pessoas encontram hoje em dia, diante de um grande mercado, um mercado de religião que oferece como se fosse um grande supermercado um monte de possibilidades para conhecer. Acho que se acrescenta isso outras coisas, por exemplo, as grandes dificuldades que as pessoas passam hoje em dia, dificuldades sociais, dificuldades econômicas, as pessoas vivem angustiadas, no fundo existem toda uma situação que forçam as pessoas a buscar uma solução. E às vezes se iludem ou pensam que encontrarão a solução numa escolha religiosa. Outra questão que me parece séria, é que a religião se torna muitas vezes hoje também uma mercadoria. Religião hoje em dia é meio de vida para muita gente. Isso se funda para lá e para cá alguma igrejinha e que as pessoas fazem daquilo para sobreviver, mas do que uma opção religiosa, um entendimento de uma proposta de fé. Juntando tudo isso. E eu acredito que também com falhas na própria vida religiosa católica, porque nem sempre nós damos testemunhos como deveríamos dar. Como igreja, como pessoas de igreja como participantes da igreja. Muitos se dizem católicos, mas que tipo de vida que levam, quer dizer não é nem de acordo com aquilo que diz, que é, isso pode parecer para os outros um escândalo.  Isso faz com que afastem muitas pessoas às vezes até dá própria vida religiosa, porque vê o mau exemplo daqueles que são de dentro. O conjunto de todas as coisas é que me parece que faz com haja essa pluraridade hoje em dia. Por outro lado penso que a nossa resposta deve ser de buscar cada vez mais uma verdadeira autenticidade. Se a gente crê no Evangelho deve viver as palavras de Deus. Temos um mundo inteiro para evangelizar, anunciar e convidar com respeito para que elas conhecendo de verdade possam fazer sua escolha. Acho que é esse o respeito que a gente deve ter: respeito pela escolha das pessoas e também segurança, força, convicção da escolha que nós fazemos.
 
A Praça - Qual mensagem o senhor deixa para a comunidade iguatuense?

Dom Antonio Tosi - É uma alegria muito grande esta presente na cidade de Iguatu, na Diocese de Iguatu e como igreja ver a comunidade tão viva, tão religiosa, tão convicta da sua fé, tão dedicada a vida da sua igreja. A ponto de que hoje essa catedral seja fruto do trabalho, da dedicação, do amor, do sacrifício de uma imensidão de povo, que realmente vive, crê a sua fé. Que Deus abençoe cada vez mais a vida dessa comunidade, da comunidade cristã católica para que seja um meio de toda essa sociedade, sociedade iguatuense e de toda região que está presente a Diocese, seja realmente um fermento de Deus, que ajude cada vez mais faça acontecer a fraternidade, a solidariedade a construção de uma sociedade realmente digna para todos os seus cidadãos.

Comentários  

 
#1 Pe salvador pereira 24-08-2010 18:30
parabens meu amigo pe tosi do seu amigo de sao carlos pe salvador
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