Jornal A Praça - O Jornal de Iguatu

Você está aqui: Arquivos Entrevistas

[Entrevista] - Denise Dumont - atriz

E-mail

Fotos:J.Guedes
Denise Dummond 'Quero voltar a Iguatu para lançar o filme que homenagia meu pai Humberto Teixeira
A atriz Denise Dumont esteve em Iguatu no início desta semana, onde gravou através da equipe do diretor Líro Ferreira mais uma etapa do documentário ‘O Homem que Engarrafava Nuvens’, que homenageia o pai dela, o poeta iguatuense Humberto Teixeira. Denise reuniu no final da tarde da segunda, 11/12, no abrigo metálico, no centro de Iguatu, sanfoneiros, zabumbeiros e outros músicos para tocarem e cantarem ‘Humberto Teixeira’. A gravação estará no documentário. Denise falou com exclusividade para o jornal A Praça sobre o projeto e a visita a Iguatu. 

A Praça - Sua visita tem finalidade exclusiva para a gravação do documentário?

Denise Dumont - É sim. A gente já está há um tempão na estrada gravando as cenas. Já gravamos em Nova Iorque. Começamos lá, gravamos no Rio, estamos gravando aqui e ainda vamos percorrer outros lugares, como por exemplo Juazeiro, Crato, o Pernambuco, a terra de Luiz Gonzaga, que são lugares que lembram também meu pai e estão diretamente ligados com as raízes do baião.

A Praça - Porque o início da gravação foi em Nova Iorque?

DD - Ah, porque papai morou um bom tempo lá, eu moro lá também e agora Nova Iorque está vivendo uma nova invenção do forró, que é o ‘Baião in Doctor’, que de qualquer forma lembra Humberto Teixeira e traz muito para perto da gente essa essência da musicalidade que ele criou, o ‘Baião’. Isso está muito vivo entre nós e a idéia foi também incluir no filme esse lugar que conheceu a obra dele, aprendeu a gostar e certamente faz lembrar de Humberto como um grande músico e um grande poeta.

A Praça - O que documentário enfoca mais? Humberto Teixeira ou sua obra?

DD - A obra de Humberto é ele mesmo. Acho que o documentário quer mostrar isso. Não há especificamente um Humberto Teixeira que as pessoas não conheçam. Ele é sua própria obra e o filme mostra todo esse lado poético, musical e espontâneo. É percorrendo os lugares onde ele viveu, conhecendo pessoas que conviveram com ele, conhecendo suas letras, suas músicas que a gente identifica Humberto Teixeira, um homem de alma grande, de uma sensibilidade foram do comum, um amigo, um apaixonado por tudo à sua volta.

A Praça - Na sua opinião, o que deve ser feito para que essa nova geração conheça Humberto Teixeira e sua obra?


DD - Bem, acho que o primeiro passo seria encontrar uma maneira de fazer com as obras dele possam ser acessíveis nas escolas para que as crianças possam aprender sobre o que ele quis transmitir, sobre as idéias do sertão e toda sua plenitude. Isso sim, seria uma coisa muito bacana de mostrar a esta geração. Na semana passada eu estive com o Gilberto Gil gravando um depoimento dele para o documentário e ele me falava de Asa Branca como um hino, uma obra prima que deve ser conhecida por todo mundo. Não é por acaso que é uma das músicas mais lembradas hoje no mundo inteiro. Então porque não começar ensinando Asa Branca as crianças? Afinal, é uma música que hoje é universal e um caminho por onde as pessoas que ainda não sabem sobre Humberto conhecerem a ele e suas obras.

A Praça – Além de Gilberto Gil, quem mais está no documentário?

DD - Nossa, a gente já incluiu muita gente boa, desde Raimundo Fagner até Chico Buarque, Caetano, Elba Ramalho, são músicos, instrumentistas, compositores, gente de todo meio artístico que fez questão de falar, participar deste filme sobre a vida e obra de meu pai. Ele representa um momento muito significativo para todos nós e a participação desses artistas dando depoimentos sobre ele, com certeza muito ilustra este trabalho. São momentos que nos transmitem muita alegria, muita felicidade, fazem a gente sentir uma singeleza e estar bem mais perto do meu pai.

A Praça - Quais foram os locais escolhidos em Iguatu para gravar as cenas do filme?

DD - Aqui nós gravamos em vários locais, na Praça da Matriz, que lembra a religiosidade de Humberto com Senhora Sant’Anna, na casa onde ele nasceu que fica também na Praça, na estação, local de chegada e saída do trem, e nos locais que homenageiam meu pai, na rodovia Humberto Teixeira, na rua que leva o nome dele, no prédio do Banco do Nordeste e aqui neste lugar (abrigo metálico) onde a gente conseguiu reunir músicos e povo, o que faz essencialmente lembrar de Humberto. Ele que não foi apenas um músico e um poeta. Foi político defendeu com toda sua força o ‘Direito Autoral’, uma proteção aos músicos e compositores, trabalho que ele fez como deputado federal. Então, voltar a Iguatu para reescrever a história do meu pai é para mim muito emocionante, e me faz até lembrar uma música que ele fez para mim ‘Balada para Denise curtir em Iguatu’, mais uma obra dele, que para mim ficará imortalizada, e sem dúvidas voltar aqui faz lembrar tudo isso.

A Praça - Qual o tipo de incentivo financeiro que você está recebendo para montar o projeto?

DD - O trabalho está em andamento e graças a Deus a gente tem recebido incentivos importantes, porque como todos sabem é um projeto grande, tem muitos custos e sem recursos a gente não conseguiria fazer. Entre esses apoios nós estamos contando com o incentivo da Petrobrás, Banco do Nordeste do Brasil e havia um compromisso do governo do Estado do Ceará para participar do projeto como parte dos recursos, mas até agora o compromisso não foi cumprido, espero que até o fim das filmagens a gente possa contar com este compromisso do governo do Ceará.

A Praça - Mesmo com esta falta do governo cearense vai dar para concluir o projeto?

DD - Eu quero crer que sim, nós estamos trabalhando com esta meta e certamente com os esforços que estamos fazendo nós vamos conseguir concretizar. Este documentário é um projeto que a gente já vinha amadurecendo há um bom tempo e se Deus quiser vamos conseguir concluir.

A Praça - Houve alguma mudança em relação ao título ‘O Homem que Engarrafava Nuvens’?

DD - Não, o título permanece o mesmo. Esse título foi uma coisa muito particular de meu pai. Ele, antes de morrer, nas suas conversas dizia que naquela fase da sua vida, quando ele estava compondo somente para satisfazer sua veia poética, fazendo suas obras, suas artes, ela dizia aos amigos que estava engarrafando nuvens.

A Praça - ‘Engarrafando Nuvens’ é algo que para ele deve ter tido algum significado, não é?

DD - É sim. Meu pai morava em São Conrado, no Rio de Janeiro, numa região de serra, que sempre tinha aquela névoa, aquele clima frio e ele dizia que passava um bom tempo engarrafando nuvens. E ele fazia até questão de confessar isso aos amigos. Por isso a gente escolheu este título para o documentário. É um trabalho que está ficando muito bom e espero que seja bem recebido pela população.

A Praça - Como as pessoas terão acesso ao documentário, onde vai passar e como?

DD - Ah, vai chegar aos cinemas, até porque ele é um filme, um longa metragem normal, um filme como qualquer outro. Vai ter lançamento, vai ser trabalhado na mídia e todo mundo vai ter a oportunidade de ver.

A Praça - Você pretende fazer o lançamento em Iguatu?


DD - Com certeza, para mim será uma honra e um privilégio voltar a Iguatu, a terra onde meu pai nasceu, e, para lançar um filme que conta a sua história será muito importante. Posso adiantar que isso vai acontecer e eu estarei presente para que juntos possamos viver este importante momento.

A Praça - É verdade que há possibilidades de ser criada uma fundação em Iguatu com o nome de Humberto Teixeira?

DD - É verdade sim. Nós estamos amadurecendo a idéia, estamos aí com nossos primos Marlene, Tenório, Evandro, o próprio Eurico Teixeira, pessoas que estão nos ajudando neste projeto e acho que vai ser possível a criação desta fundação que será aqui em Iguatu, terra natal de Humberto.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar