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[Entrevista] - Humberto Machado - Publicitário

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O iguatuense Humberto Machado, publicitário e marketeiro, visitou esta semana sua cidade natal. Depois de quase uma década sem voltar a Iguatu, ele, que também é design gráfico e músico, conversou com nossa equipe sobre a vida profissional, política, administração, fatos históricos da cultura e do folclore de Iguatu e qual a receita para administrar o tempo entre as profissões, a vida pessoal e a música. 

Foto:J.Guedes
Humberto Machado
A Praça - Sendo um filho de Iguatu e tendo raízes tão fortes com a cidade porque você ficou tanto tempo sem voltar a sua terra natal?

Humberto Machado - A vida nos leva por caminhos injustos. Isso às vezes não depende de nós. Mas um fator pesou bastante. A falta de administradores voltados para a cidade. Nossos lideres políticos, de certo tempo para cá, “esqueceram” de investir na cidade. Isso retirou o charme e a auto-estima do povo de Iguatu. Apostamos em idéias e pessoas. Não aconteceu e paramos no tempo.

A Praça - Qual a diferença entre o Iguatu que você encontrou e o outro que você deixou para trás há 8 anos?

HM - Fiquei feliz com o resultado. Parece que Iguatu começou a acordar de um sono profundo. É bonito ver a cidade mudar para melhor. Agora precisa criar atrativos para trazer de volta os filhos da terra. Existe uma necessidade de voltarmos às origens. Mas precisávamos de argumentos mais fortes para optar por voltar. Um dos maiores é alegria estampada no rosto dos amigos e não reclamações e tristezas, porque a cidade estava abandonada.

A Praça - Qual o comparativo que você faria hoje das administrações que marcaram a história de Iguatu com a construção de obras estruturais e a organização urbana?

HM - Iguatu teve na minha geração, dois grandes momentos. O primeiro com o Dr. Elmo Moreno, e esse com o Dr Agenor Neto. Vejam que aconteceu um vácuo no crescimento. Ela parou. O atual prefeito conseguiu resgatar a auto-estima do povo. A próxima geração precisa estampar no peito o orgulho de ser filho de Iguatu e não sentir vergonha de dizer que nasceu aqui, como fazem alguns jovens em colégios de Fortaleza.

A Praça - O que aconteceu nesse que você chama de ‘vácuo’ em 23 anos. A cidade parou de crescer do ponto de vista da edificação de obras de infra-estrutura?

HM - A falta de compromisso com a cidade foi fator primordial. Os políticos deviam ter dado mais importância a investimentos de base. Infra-estrutura, saneamento, geração de emprego e renda, e por aí vai... O crescimento da cidade é fundamental. Asfaltar ruas, reformar e construir áreas de lazer, casas, são investimentos prioritários. Tudo isso melhora a vida do povo. Torna o ser humano mais digno. É preciso adotar um ‘Padrão de Administração’ para obrigar a cidade a crescer.

A Praça - Você foi um participante ativo dos grandes carnavais de Iguatu quando ainda existia o famoso ‘Carnaval do CRI’. Que fato folclórico você narraria que tenha sido destaque ou até inusitado daqueles tempos?


HM - Bom, inusitado sempre era. Desde Sr. Meton Maia, nosso Rei Momo Oficial, e vitalício, até figuras de criatividade ímpar. Alguns fatos eu sempre lembro quando dançávamos nos salões do CRI. Geraldão (filho de Zildemar Amaro) e sua corneta rainha eram marcantes. Zaqueu (filho de Edmilson) com os seus pileques homéricos e sua alegria contagiante, mas acho que o mais louco mesmo era Nego Sílvio (Sílvio Amaro). Foi dele na minha opinião, o momento mais folclórico. Certa vez no carnaval do CRI, imaginem vocês, ele tentava convencer seu Luís, o porteiro do clube, a deixá-lo entrar montado em um jumento. Essa foi demais. Outra vez a orquestra que animava o baile deu um intervalo, e eu e alguns amigos esperamos alguns minutos e invadimos o palco. Começamos a tocar e todo mundo pensava que o baile tinha recomeçado. Foi uma confusão só, toda a diretoria do clube subiu para tentar nos convencer a parar (risos). Tempos áureos da cidade aqueles.

A Praça - Iguatu acaba de servir de cenário para dois grandes projetos culturais. O filme ‘O Céu de Suely’, rodado totalmente com locações em Iguatu, e o documentário ‘O Homem que engarrafava Nuvens’ uma homenagem a Humberto Teixeira. Qual a contribuição que esses projetos podem ter dado a cidade?

HM - Iguatu é sempre maior do que enxergamos. Ela se supera com o tempo. Achei genial esse momento. Assisti ao trailer de ‘O céu de Suely’ e achei bárbaro. Iguatu como cenário ficou demais. E bonita como está hoje fica mais ainda. Conheci e me tornei amigo também do Pedro Álvares, amigo da Denise, que ajudou a arrumar a grana para o filme do Humberto Teixeira. É importante levar Iguatu para o mundo. Ela merece há muito tempo.

A Praça - Você é um profissional que divide o tempo entre a música, a área de publicidade, o setor comercial, o trabalho com as campanhas eleitorais e a família. Qual é a receita para conseguir tempo e dá conta de tudo?


HM - Bom, a gente tenta administrar todos os momentos do dia. Às vezes, quando viajo para fazer campanhas políticas, é que fico mais absorvido. Minha rotina é meio louca. Durante o dia corro para dar de conta dos pedidos da Fiocard, uma empresa que trabalha com mídia dirigida voltada para fidelização de clientes da qual sou representante exclusivo para o Estado. À noite trabalho a parte publicitária, criações gráficas e música. Sempre que posso trabalho em meu escritório de casa, tentando conciliar o tempo com a família.

A Praça - Sendo publicitário e marketeiro político e eleitoral, como você se sentiria ao ser convidado para comandar uma campanha em Iguatu?

HM - Não seria problema. Acho que adquirimos experiência suficiente para isso. Difícil seria é conter a emoção dos amigos. Há uma necessidade de lideranças mais voltadas para o povo. Hoje o atual prefeito está ocupando uma lacuna política de vários anos. Vem conquistando, através do trabalho, o respeito e a simpatia da sociedade. Para isso são os políticos. Devem trabalhar para o povo, pois são pagos por ele. O patrão somos nós e não eles.

A Praça - Na sua opinião as mudanças na legislação eleitoral mudaram alguma coisa no cenário das campanhas?

HM - A proibição de brindes e shows foi importante. A confecção de camisas, bonés, showmício, outdoors, representavam um custo altíssimo de campanha. Teoricamente ajudou a nivelar os candidatos. Mas a parte que cabia desse investimento foi canalizada para outros setores da campanha. Na capital, o forte foram os aumentos dos gastos com programas de TV. A produção dos programas eleitorais tende a aumentar cada vez mais. Aumentou também a distribuição da verba para as bases eleitorais do interior, para os colabores da articulação política. Neste aspecto sempre quem tem mais dinheiro leva vantagem. O TRE tem que arrumar um jeito de financiar as campanhas dos candidatos. Acho que deve vencer quem tiver melhor proposta e não que tem mais verba de campanha.

A Praça - Na sua vinda a Iguatu você apresentou um novo produto considerado revolucionário em indicação de serviços. Qual a eficácia do Fiocard?

HM - O Fiocard é um avanço do cartão de visitas de papel. O nosso cartão é das mesmas proporções de um cartão de banco, também feito em PVC, que contém 10 metros de fio dental em seu interior. É o único fio dental em formato de cartão de crédito no Brasil. Mas não o vendemos no varejo, só tem Fiocard quem ganha. É uma forma de valorizarmos os nossos clientes. É fantástico, visitem o site www.fiocard.com.br e confiram. Caso queiram comprar, os clientes de Iguatu têm condições diferenciadas de tratamento.

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