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Estrada Jucás/Cariús: o caminho das cruzes

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As cruzes estão em todo o percurso da estadaO trecho de quatro quilômetros da estrada que liga as cidades de Jucás e Cariús, no centro do Centro-Sul, está recebendo o indesejável título de ‘Caminho das Cruzes’, tamanha é a quantidade de cruzes à beira daquela rodovia que lembra as vítimas de acidentes de moto e carro. A maioria é jovens entre 15 e 18 anos que perderam a vida quando trafegavam pela estrada. Um dos acidentes mais terríveis aconteceu no dia 29 de outubro do ano passado quando quatro rapazes morreram no mesmo lugar por causa de uma colisão entre duas motos.

A estrada que liga as duas cidades é antiga e era construída apenas em piçarra até o início dos anos 80 quando recebeu camada asfáltica. Foi na mesma época em que foi asfaltada a rodovia que liga Jucás a Iguatu por volta do ano de 1981. Passados quase 27 anos do asfaltamento, a vida útil da estrada já se foi e o que resta é apenas um trecho sinuoso com o asfalto rachado e muitos perigos à vista. Não se pode afirmar que os acidentes no trecho só aconteceram depois do asfaltamento. Eles já se repetiam desde que a estrada foi construída. Pelo menos este é o depoimento do agricultor aposentado Elói Pereira de Souza, 75, que há vinte anos mora nas margens da estrada. Próximo da casa dele existe um cruzeiro antigo, que, segundo Elói, lembra um acidente com um Jipe ainda nos anos 70 que deixou duas vítimas.

O que chama a atenção de quem trafega pela rodovia Jucás/Cariús é que os acidentes têm se tornado mais freqüentes nos últimos sete anos. As cruzes que marcam os locais onde as vítimas morreram estão praticamente uma atrás da outra. São oito os pontos registrados pelo nosso repórter fotográfico, incluindo um em cada entrada das duas cidades. Logo na saída de Cariús para Jucás está a cruz onde morreu Eraldo Alves, no dia 22 de agosto de 1999. Nas proximidades da ponte sobre o rio Jaguaribe, na saída de Jucás para Cariús também está marcado o local onde outra vítima tombou para a morte após se envolver num acidente de moto.

De acordo com as estatísticas e segundo os relatos de famílias das vítimas, os acidentes mais freqüentes são os de moto. Um fator agravante e que chama a atenção também é que os motoqueiros não usam capacete e andam em alta velocidade. Somados todos os fatores contra a vida incluindo imprudência, alta velocidade, ultrapassagens proibidas, uma estrada com asfalto velho e esburacado e o grande número de jovens que guiam seus veículos sob o efeito da bebida alcoólica, o resultado acaba sendo o aumento das estatísticas por morte no trânsito.

Se contabilizarmos que a estrada que liga Jucás a Cariús só tem quatro quilômetros e existem oito locais onde aconteceram acidentes com vítimas fatais, significa dizer que nos últimos anos as mortes se repetiram a cada quinhentos metros da rodovia.

A gerente do Dert em Iguatu, Dina Maria Moreira, informou que o trecho é sinalizado e recentemente foi feito o roço das margens para melhorar a visibilidade. Ela denunciou que 70% dos motoqueiros circulam pela rodovia sem usar capacete, normalmente eles excedem o número de ocupantes das motos e ainda trafegam sob o efeito de bebida alcóolica. Segundo a gerente essas atitudes  contrariam o Código de Trânsito Brasileiro-CTB, e todos estão sujeitos a multas. A gerente informou que a recuperação do asfalto no trecho foi colocada como prioridade no programa ‘Ceará 3’ da secretaria de Infra-estrutura do governo do Estado.

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