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Dr. Gouvêa

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“Se há sonhos que valem uma vida, vida não há que valha um sonho”

Era hora do crepúsculo, retornávamos para casa, na carroça, puxada por “Terra Seca” depois de um dia exaustivo na Chapada do Moura, ao meu lado, fiel escudeiro “Veinho”, a quem estava entregue as rédeas da alimária, depois de uma pequena parada no semáforo localizado no Alto do Jucá, ficamos estupefatos, maravilhados, boquiabertos com o cenário que vislumbramos à frente após a linha férrea. Era o período natalino, mais o fausto, o clamor, o brilho ali ostentado encantavam-nos, como se de repente, tivéssemos sido arrastados por magia, a outras terras, talvez Nova York ou Las Vegas. Não tenho aqui palavras para pormenorizar tanto luxo, tanta ostentação da administração “Trabalhando Para Crescer” ao festejar o nascimento de um Deus. Ao fundo, lá no alto, em completa escuridão, o Hospital Santo Antônio dos Pobres, obra filantrópica do grande e saudoso médico Doutor Manoel Carlos de Gouvêa, fiquei a divagar... aonde estava o Deus Menino, se cá em baixo no meio de tanto fausto, se lá em cima no Hospital Santo Antônio dos Pobres, que por décadas aliviou a pena dos que padeciam e agora ali entregue ao abandono. Estas considerações teriam ficado em mim, se há tão pouco, não tivesse a nossa terra perdido mais uma vez um Doutor Gouvêa. Chamava-se Edson este Doutor e, como o tio, amava esta terra acima de si próprio. A ela se doou desde muito cedo, em outro ramo, é bem verdade, que não a saúde, à educação, mas com a mesma coragem, com o mesmo desprendimento, com o mesmo amor, como prova maior disto, está aí o educandário Ruy Barbosa. Cada tijolo, cada telha, cada pedra ali sentada, se espremidos, sairá sangue e suor do Gouvêa. Ao assistir a seu funeral, ouvi uma de suas sobrinhas afirmar que maior sonho do Dr. Edson era ver funcionando a “pleno vapor”, como o seu colégio, o hospital do seu tio, e criticar um grupo político, que, segundo ela, era responsável pelo fechamento do mesmo. Mas se há realmente algo que a morte não põe fim, este algo é o sonho, e o seu sonho, Doutor, continuará sendo sonhado por todos os seus discípulos, seguidores, familiares e alunos como eu, da 8º Série A, no longínquo ano de 1983. Sonhos que um dia se realizarão, porque foram plantados com as imorredouras sementes do amor. Tenhamos todos a certeza que a luz prevalecerá sobre as trevas. Quanto a mim, só me resta parodiar o nosso bravo Presidente Getúlio Vargas, ao visitar o Hospital Santo Antônio dos Pobres:

- Fez muito bem, Doutor!

Tenho dito.

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