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Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

I

Seja gentil e responda

Sim ou não ou não ou sim

Se realmente você é

Jacaré ou Bacurim

Se também é bom de briga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

II

Magro véi e confuzeiro

Parecendo um mucuim

Quando tava na escola

Escondia o boletim

E era o rei das lombriga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

III

“Vagabundo e abestado”

Disse isso para mim

Eu então fiquei calado

Com a cabeça fiz que sim

Sem bunda e sem barriga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

IV

Um certo dia lá na praça

Começou o estopim

Apareceu um pobre homem

Oferecendo gergelim

Ele fez logo uma intriga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

V

Não precisa de viagra

Muito menos de amendoim

É magro desde menino

Não engorda de ruim

Em pé parece espiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

VI

Certa vez se engasgou

Comendo muito aipim

Depois de muitos exames

Tinha dado o cupim

E umas seiscentas bexiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

VII

Chamou um homem de burro

E mandou comer capim

O pobre homem pensava

Que fosse um mandarim

Aí alguém disse: “não liga”

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

VIII

Detesta um instrumento

Violino ou bandolim

Parece um macarrão

Espaguete talharim

Não pode ouvir cantiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

IX

Quando ainda era católico

Até rezava em latim

Hoje briga com a peste

Com os anjos querubim

Onde chega fazem figa

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

X

Na segunda grande guerra

Quase entra em Berlim

Aí um moleque gritou:

- Sai daí assobio de soim.

Voltou cheio de fadiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

XI

No braço ele usa uma fita

Nosso Senhor do Bonfim

Um charme especial

Quando se veste de brim

Da construção cai uma viga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

XII

Conhece todas as artes

Da aquarela ao nanquim

Sabe tudo de tecido

Popeline e cetim

Já estou numa urtiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

XIII

Não gosta de carnaval

Colombina arlequim

E não come quase nada

Nem sequer um pudim

Diferente de formiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

XIV

Certo dia lá numa moagem

Foi puxar um alfenim

Não soube puxar direito

E ficou só um taquim

Não deu nem pra uma mendiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

XV

A brincadeira acabou

Toda mentira tem fim

Dileto amigo Renato

Você, flor do meu jardim,

Sua mão bondosa e amiga

Renato Rolim me diga

Por que o senhor é assim?

 

Produzido por:Dr. Miguel Coelho 

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