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Reforma protestante, um marco na história da igreja

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Estamos comemorando 490 anos de um evento que marcou a vida da Igreja. O século XVI experimentou profundas e amplas mudanças no campo da arte, da cultura, da política, da economia e, sobretudo, da religião. A Igreja, de então, a muito tivera saído dos trilhos traçados por Jesus Cristo. Princípios elementares da fé cristã tinham sido substituídos por outros de acordo com as conveniências da época. O ambiente estava mais do que preparado para que homens piedosos, comprometidos com o exame sério das Escrituras, sedentos pela justiça de Deus, dessem o seu grito de protesto a tudo que se fazia em nome da religião.

A Reforma Protestante na Europa começou a dar os primeiros passos desde o século XIV através de Wycliffe, Huss que vinham implementando alguns princípios de mudança. Lutero foi um dos grandes expoentes que tomou posição ao afixar as 95 Teses em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg na Alemanha. A iniciativa de Lutero teve prosseguimento com os labores de Melanchton, Zwínglio, Calvino e João Knox.

Esse Movimento deixou alguns pilares que devem sustentar a Igreja Cristã.

O VERDADEIRO CONCEITO DE PECADO

Na época, o Papa Leão X tivera instituído a venda das indulgências com o fim de levantar fundos para a construção da Basílica de São Pedro em Roma. Os fiéis que tinham recursos compravam esses papéis e alcançavam o perdão de seus pecados. A essência do pecado tinha sido banalizada ao ponto de se acreditar que o seu perdão podia ser efetivado pelo dinheiro. Contra essa prática, Lutero dirigiu suas 95 Teses, com sua afirmação central de que “a verdadeira tesouraria da Igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus”.

JUSTIFICAÇÃO SOMENTE PELA FÉ

O apóstolo Paulo nos diz que “... pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). A Igreja Católica Romana havia distorcido o conceito da salvação, pregando abertamente que a justificação se processava por intermédio das boas obras de cada fiel. Daí a prática das esmolas ao próximo e até mesmo a busca de uma religiosidade cega e sem sentido, buscando, assim, merecimentos de Deus. O movimento de Reforma Protestante pregou que só a graça de Deus salva.

AUTORIDADE DA PALAVRA DE DEUS

Na ocasião, a tradição da Igreja já havia se incorporado aos padrões determinantes de comportamento e doutrina e, na realidade, já havia superado as prescrições das Escrituras. A Bíblia era conservada distante e afastada da compreensão dos devotos. Esse era um dos principais objetos de ataque nos “Tratados sobre a Reforma” de Lutero em 1520. Em 1519, este já tinha negado a infalibilidade dos Concílios Gerais. Os Reformadores libertaram a Bíblia por meio da tradução acessível, da pregação expositiva e da exegese histórico-gramatical direta. Os reformadores redescobriram e levantaram bem alto o único padrão de fé e prática: a Palavra de Deus, e por este padrão feriram tanto as autoridades como as práticas religiosas em vigor.

SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS CRENTES

Em Hebreus 10.19 diz: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos santos, pelo sangue de Jesus”. O apóstolo Paulo também diz: “... há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). Essa doutrina apresenta a pessoa de Cristo como único mediador entre Deus e os homens, concedendo a cada salvo “acesso direto ao trono” por intermédio do sacrifício de Cristo na cruz e pela operação do Espírito Santo no “homem interior”. Todos nós temos acesso a Deus pela intercessão de Jesus Cristo.

No aniversário de mais um ano da Reforma Protestante devemos lembrar desse legado que fez com que a Igreja fosse despertada e voltasse para as suas origens. A frase “Igreja Reformada, sempre se Reformando” do teólogo da Igreja Reformada da Holanda, Gisertus Voetius, deve significar que a igreja precisa se manter fiel aos princípios básicos: “só a Escritura, só a graça, só a fé, só Cristo, e só Deus é digno de ser glorificado”. Devemos caminhar sem, no entanto, esquecer-nos de sermos Igreja viva e preocupada com o seu dia-a-dia, sendo assim relevante.

Pastor da Igreja Presbiteriana Êxodo

 

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