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Convivência com a seca

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Desde o tempo do Império, que o cenário da seca tem sido um quadro preocupante para as autoridades. É verdade que muita coisa mudou, diante do avanço tecnológico alguns paliativos se tornaram eficazes nos dias atuais, tornando menos sofrido a convivência com a perversa seca. Muitos políticos já derramaram lágrimas e se emocionaram ao presenciarem a seca nos tempos atrás, contradizendo o cenário dos luxuosos gabinetes, onde o jumento, carros pipas, cacimbões, frentes de serviços com exploração de mão de obra eram tidos como amarguras e jamais como mecanismos para a base do desenvolvimento. Hoje se chama esperança. É verdade que ao longo do tempo pobres e governantes se confrontaram em busca de soluções para o combate à seca e hoje muita gente está preocupada com o aquecimento do planeta causado pelo efeito estufa. Não é generalizando, mas uma grande parte já vive em perfeita harmonia com a estiagem, graças à tecnologia e distribuição de renda, o jumento deu lugar para a motocicleta, os poluídos cacimbões por cisternas e as perdas futuras por um seguro safra.

A rapadura, o feijão, a farinha, já não fazem parte da lista de compra do bodegueiro para atender a família dos cassacos, pois hoje já tem cesta básica com entrega em domicílio. As enormes filas que se formavam em busca de alimentos, já podem ser observadas nos bancos pela troca dos cartões. Até mesmo o retirante, não foge mais da sua terra porque também foi valorizada e em última hipótese a cidade próspera o aguarda. E veja que não se transporta em pau-de-arara, mas numa topik com hora marcada no celular de cartão porque a ficha do orelhão já está fora de uso. O grande problema é a ignorância do homem e a burocracia que se misturam nas boas intenções das autoridades. O agricultor esperançoso renova as esperanças na fixação regionalista, como o de pedir chuva, e a autoridade na limitação das ações. O governo do Estado já anunciou o Plano de Ações para a convivência com a seca onde serão aplicados cerca de R$749 milhões de reais. Entre o alento e desafios, as opiniões se dividem quando o assunto é seca. Mas, todos têm uma convicção que essa ajuda, se transforme em melhoria sem a corrupção e o coronelismo que no passado fomentaram a indústria da seca. Como disse o governador Cid, nessa visão de conviver com a seca, é necessário dar ao homem do campo basicamente três direitos: o direito de comer; o direito de beber e o direito às condições de produzir e poder sonhar em melhorar de vida. Viver bem no interior. E que não fique apenas nas boas intenções, pois o fenômeno é da natureza.

Silvani é Bancário e Radialista 

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