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Por que digitalizar?

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A discussão sobre a implantação do sistema brasileiro de TV digital vem sendo pautada em cima da alta definição de imagem e som e da interatividade entre o telespectador e a TV. Mas como essas características peculiares podem influenciar na vida da sociedade e na forma de se fazer televisão?

A TV digital vem dar as caras, oficialmente, no Brasil no dia 2 de dezembro de 2007. Junto com essa revolução tecnológica, tão esperada pelos idealizadores de uma qualidade de imagem e som, o sistema brasileiro de TV digital (SBTVD) vem atrelada a uma esperança, para alguns especialistas, contraditória, de uma revolução no social, onde todos os problemas educacionais e culturais serão resolvidos, ou acentuados com o advento do aparelho.

A cada dia que passa a TV digital vem despertando dúvidas e discussões a respeito das soluções dos problemas da exclusão digital e social -porta bandeira do governo. A proposta de desenvolvimento de um padrão brasileiro de TV digital, segundo o Decreto 4.901, de 23 de Novembro de 2003, apresenta uma característica primordial para a evolução do social: o SBTVD proporcionará ao povo educação, cultura e entretenimento. Milagre? Edilmar Norões, jornalista, radialista, diretor-geral de programação da TV Verdes Mares e Presidente da ACERT (Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão), acredita que seja uma forma mais bonita e política do governo vender à população a idéia e o projeto da TV Digital. “O digital deve ser visto como um avanço normal da tecnologia”, alerta Norões. “O governo sabe que apenas o sistema implantado não resolverá os problemas sociais. O papel do governo é induzir essa confiança nas pessoas. Esse é o momento de acenar para o social”, acrescenta.

Para que todos os desejos que o governo idealiza sejam concretizados, Norões acredita que deva haver um incentivo à produção de conteúdos culturais, e uma atenção especial para os produtos produzidos. “Se o governo não conseguiu controlar as programações e as condições de programação, não vai ser com TV digital, tendo em vista toda a facilidade de interação, que ele conseguirá isso”, dispara o presidente da ACERT.

A produção independente carrega consigo um reforço maior para as TVs educativas. Em parceria com as TVs universitárias, elas podem funcionar como laboratório de formação de quadro de profissionais e, sobretudo, como espaço de experimentação de novas programações.

Interação - Tornou-se impossível falar de TV Digital sem citar a interatividade entre telespectador e a interface da TV. Transformar o público em produtores de conteúdo fará com que a produção independente entre em ascensão e seja distribuída pela rede televisiva em forma de arquivos. Com isso, novos olhares e novos pensamentos poderão ser apresentados ao público. Tudo isso resultará na verdadeira “democratização da informação”, como define a proposta governamental de implantação do SBTVD.

Porém, essa “democratização da informação” não é tão simples assim como parece. A facilidade de divulgação da informação ainda esbarra na luta entre empresas de rádio-difusão e de telecomunicação. Ambas lutam pela eficiência da “interatividade de retorno” (resposta do telespectador ao conteúdo veiculado). As TVs já conseguiram vencer a primeira batalha, implantando o modelo japonês (que garante integridade das programações e dos interesses das emissoras), mas têm conhecimento de que não poderão por em prática sozinhos toda a interatividade que o sistema pretende realizar. “Estamos em contagem regressiva para uma TV que não favorece a inclusão digital da massa, imposta pelo executivo, e onde as emissoras saem na frente, mas não vencem, pois apenas adiam o inevitável, ou seja, o rolo compressor chamado ‘convergência’”, afirma, em seu artigo, Disputa pela TV digital entre liberdade e concorrência, o advogado, analista de sistemas, especialista em direito da informática e presidente da Comissão de Propriedade Intelectual e Segurança da Informação da OAB-SP 21ª subseção, João Antônio Milagre.

Essa interatividade ainda poderá atrelar, às suas funções, poderes sociais de utilidade pública. Alguns países como os EUA, já incorporam, em seus sistemas, serviços interativos de interesse do Estado e da sociedade. E com o Brasil a coisa pode funcionar da mesma forma. Os serviços de utilidade pública podem ser oferecidos na matriz digital (governo eletrônico), facilitando o acesso a serviços e benefícios de todos os ministérios. “A possibilidade da inclusão digital a partir da oferta de serviços de TV interativa em tele-medicina, tele-educação, Previdência Social e demais serviços de governo eletrônico à distância são uma possibilidade concreta, quando consideramos as inovações brasileiras na área de sistemas operacionais, em terminal de acesso de baixo custo com acesso à internet”, afirma, em seu discurso proferido na cerimônia da assinatura do decreto para a implantação do sistema brasileiro de TV digital, o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Mario Knörick Zuffo.

A respeito de toda essa possibilidade de interação, Edilmar Norões acredita que ocorrerá uma efetiva mudança na forma de ver e fazer televisão. Afirma que a participação do público intensificará as reações, tanto pró como contra, no que diz respeito ao que está definido como lei, fazendo com que o governo se sinta mais fiscalizado e o público mais fiscalizador. “A maior participação da sociedade, nesse processo, é fator preponderante para aprimorar a democracia”, diz Norões.

As evoluções tecnológicas direcionada para a comunicação estão se transformando a cada dia. Primeiro foi o sistema de rádio AM que perdeu seu espaço para a melhor transmissão do sinal da FM. Depois a TV surge em preto e branco; e por sua vez torna-se obsoleto diante das TVs com transmissão a cores. Agora surge o sistema digital para suplantar e convergi todos os outros sistemas de comunicação (rádio, TV, internet). Aí você pergunta: onde vamos parar? Não se sabe!

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