Jornal A Praça - O Jornal de Iguatu

Você está aqui: Notícias Cartas A dramatologia em Iguatu

A dramatologia em Iguatu

E-mail
Li com satisfação, numa edição de maio, deste ilustrado jornal, a notícia da inauguração do Teatro Pedro Lima Verde, que vem dar nova projeção à cultura iguatuense. O novo teatro vem atender, ainda mais, às necessidades da dramatologia, arte cultivada, há muito tempo, pela gente da terra e que tem nos palcos o espaço natural destinado à encenação da magia e encanto do mundo do faz de contas.

O gosto dos iguatuenses pelas artes, de modo especial pelo teatro, vale repetir, vem de longo tempo, mesmo quando não dispunham dos recursos da iluminação adequada para melhor visualização das cenas, nem de serviços de sons para tornarem mais audíveis os diálogos, para resumir, mesmo quando não dispunham de nada que pudessem contar como efeitos especiais, essa gente já cuidava de mostrar ao público, valendo-se dos recursos materiais e humanos de então, um mundo de sonhos, despertando na platéia em delírio, os merecidos aplausos.

Dedicava-se a dramatologia de antanho, a veneranda senhora dona Edite Teixeira que, nos idos de 1940, já reunia em sua residência aficionados da arte de representar, criadores de ilusões, para, sob sua direção, entregarem-se, depois de dias cansativos de trabalho, ao ensaio de peças teatrais, que deslumbravam os expectadores nas noites de estréias no velho Cine Teatro do sírio-libanês, Teófilo Hamdan.

Eram atores na época, Daisy Teixeira, filha de dona Adite, Cícero Batista, Manuelino Lobo, Socorro Ferreira, Modesto Carvalho, pai de Francisco Airton Jucá, além de outras figuras do lugar. Lembro-me especialmente dos exaustivos ensaios da peça A Escrava Isaura, baseada no romance de Bernardo Guimarães, em que Daisy Teixeira fazia o papel de Isaura e Cícero Batista o do vilão, Senhor da Casa Grande da Fazenda, que desvairado porque a jovem escrava não quis satisfazer-lhe os caprichos, tentou fazê-la casar com um corcunda agregado da fazenda.

Nunca esqueci os ensaios e a encenação da Escrava Isaura, pois visto não possuir a postura natural de um galã, coube-me na peça, interpretar a figura do repugnante homúnculo corcunda que lembrava Quasímodo, o Corcunda da Notre Dame.

Como nas artes e ciências tudo depende de escolas e aprendizado, e o gosto pela dramatologia tende a acentuar-se em Iguatu, é de se esperar que chegue até aos amantes da arte de representar, dessa terra, acesso a cursos de arte dramática. Ao contrário do que acontecia no passado, Iguatu libertou-se, há tempos, do fenômeno social que fazem os burgos sertanejos, no período de crescimento, preferirem o desenvolvimento do comércio e de outras atividades econômicas, à abertura de escolas, patamar sustentável dos fatores culturais que, agindo sobre o homem, impulsionam natural e acertadamente o meio em que vive.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar