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Artes de fazer

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Nem sempre pessoas e coisas podem ser organizadas, a cada uma atribuindo um lugar, um papel, um valor, um produto a consumir. A maioria delas escapa a classificação que a razão técnica tende a fazer. Através de suas astúcias, de seus truques, as pessoas vão alterando sua realidade. Assim, abrem o próprio caminho, constroem espaços dinâmicos, encontram atalhos e se apropriam de outros modos de vida. Não encontramos no povo, de um modo geral, sentimentos de passividade. Basta lembrar aqui as artes de fazer que o homem pratica. Vemos as mais variadas invenções dispostas a romper com o perfil de uma sociedade que gostaria de ser organizada.

É próprio do ser humano a busca pelas coisas, a luta pela vida, havendo em determinadas pessoas a capacidade de não se entregar ao conformismo do cotidiano e de querer inventá-lo, construí-lo de outra forma. O homem então percebe que pode rever suas atitudes e transformá-las em práticas inventivas, como os artesãos – mestres do fazer e do saber - que tão engenhosamente enxergam nas garrafas vazias de refrigerante matéria-prima para suas criações. Lanchonetes móveis, banquinhas de café nas calçadas dos prédios, doceiras, caixotes de bombons, vendedores ambulantes, relojoeiros e outras atividades que vão garantindo a sobrevivência de muitas famílias. Atividades feitas com inteligência, com o olho da necessidade e com muita dose de humor.

Práticas do homem comum, daquele que precisa driblar a própria sorte e fazer malabarismos para as coisas acontecerem. Pessoas que correm de um lado para outro, inventam modas, montam e desmontam barracas, gritam de lá e de cá, criam o código verbal ao seu modo, usando-o do seu jeito, uma linguagem que apela, comove, persuade. São mil e uma maneiras de criar, mãos talentosas que vão dando aos objetos novas formas. Uma multidão anônima que percorre as ruas, mostrando sua arte, seu jeito de ser, sua indignação constante, seus modismos, suas astúcias, suas histórias. Cada pessoa vai tentando viver da melhor forma possível, inventando coisas e fazendo outras, demonstrando seu talento e construindo sua própria identidade.

Essa mobilidade é a esperança, é a caça do amanhã, é o tempero da comida, (quando tem). Uma multidão que não pára, não cala, não dorme. As dificuldades se transformam em motivos de luta, de ação, num canto de resistência. Passos grandes e curtos são dados em direção à vida, mãos dadas que se entrelaçam para tecer o amanhã, pois, como diz o poeta João Cabral de Melo Neto “um galo sozinho não tece uma manhã; ele precisará sempre de outros galos”.

A arte de fazer é a arte de viver, um campo propício de lutas, de táticas e de expectativas. Viver em sociedade é uma arte que requer liberdade, coisa que raramente acontece, pois o sistema capitalista impõe, a todo custo, as “regras do bem viver”. Uma sociedade que maquina trapaças, que “canceriza a vista”, no dizer de Michel de Certeau,  que classifica os gostos, que impede outros, mostrando a realidade pela comunicação do olhar. Como habitar uma sociedade assim? Que leitura o homem ordinário pode fazer desse meio? Uma sociedade que se insinua com suas paisagens fantasiosas, com seus muros de concreto, impedindo o ir e vir.

As coisas precisam ser repensadas e vistas numa dimensão que não transcorra ordem de valores, - que utopia, mas já é alguma coisa. Todos querem apenas viver, querem que seus sonhos não sejam mais florestas de ilusões. Portanto, cada um vai fazendo seu caminho, construindo sua história. O palco da vida vai sendo montado, as coisas vão tomando sua forma, a trajetória vai sendo percorrida e as mudanças efetuadas, a custa de muito esforço. Isso mostra que de obedientes e passivos as pessoas não têm nada.

As improvisações, as invenções, as práticas constituem o que de melhor há no homem, que se torna caçador de arte, pescador de idéias, construtor de sonhos. Onde vamos parar? Gostaria que fosse no terreno da cidadania, palavra que nos últimos tempos tem perdido seu verdadeiro sentido. Os feitos do homem são marcos de uma aprendizagem que deveria ser construída não de cima para baixo (por uma ordem estabelecida), mas tendo um mesmo nível de constituição, inevitavelmente isso geraria relações conflituais e competitivas, mas isso é outra questão. O que importa é a vida e “por que prender a vida em conceitos e normas? O Belo e o Feio... o Bom e o Mau... Dor e Prazer... Tudo, afinal, são formas e não degraus do Ser!” (Mário Quintana).

Socorro Pinheiro
Professora do Departamento de Letras da FECLI/UECE

Comentários  

 
#3 nicollas bricio 25-08-2010 17:27
PIOR DISCUTAÇÃO
.fala nicollas
esta chegando é depois desse desáfio!
tabom?
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#2 nicollas bricio 25-08-2010 17:17
.fala nicollas

obrigado voce foi muito gentil e e a firmo que a ultimá ira ser desáfiado e voce tenque ser corajoso e forte.thau!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!
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#1 nicollas bricio 25-08-2010 17:06
:eek: .fala nicollas
agora eu quero fazer artes por favor eu estou pedindo um favor si-não ti dou milhares de presentes agora mesmo estou fazemdo um pedido si-não não encotro mais nesse site e não te ajudo e fasso mau-dade com voce e não ti perdoo acho melhor voce fazer meu pedido si-não eu não ti comvido ao meu aniversário e ponto final.
se voce não fazer o meu pedido eu faço de verdade,se voce fazer meu pedido eu ti levo À terra de ouro.
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