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O poeta deu na lage

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Quando nos debruçamos sobre o teclado, diante do nosso computador, a espremer o bestunto, visando produzir alguma coisa que agrade o leitor e justifique o favor com que os dirigentes do jornal nos cumulam, cedendo-nos precioso espaço em seu periódico, esforçamo-nos por nos sairmos bem da empreitada.

Sabemos das dificuldades com que nos vamos defrontar.  Escrevemos, para gente cuja cultura, não raro, está acima de nossos míseros conhecimentos. O público leitor é variado e, com muita justiça, exigente. Nossos escritos caem nas mãos cidadãos agnósticos, ou dos filiados aos mais variados credos. Escusamos-nos, por isso, de abordar temos polêmicos que venham ferir a sensibilidade daqueles que nos lêem.

Preferimos assuntos leves que se encaixem no estilo solto de uma crônica. Temas de fácil assimilação, que facilitem a gregos e troianos, o entendimento do que nos sai da cachola, certos  de que  levaremos a bom cabo o cometimento. Sem dúvida, em virtude disso, vez por outra, recebemos palavras de estímulo e manifestação de aprazimento de algumas pessoas, dando a entender que, entre outras virtudes, as letras têm o condão de promover o encontro e a aproximação dos viventes.

Mas como no mundo da comunicação nem tudo são luzimentos, há leitores  de apurado gosto literário,  que não encontrando no que lêem, a palavra que forma e que deleita o espírito, mas um escrito insosso, sem qualquer tempero, de pouca ou nenhuma expressão,  usam, naturalmente, o  inalienável direito à crítica construtiva. Foi o que se deu, faz pouco tempo, com relação ao que escrevo sem maiores pretensões literárias.

Ao referir-se à crônica, “O Caçador de Pipas”, uma pessoa sentenciou: “Foi a que menos me impressionou entre as que já escreveu.” Outra, igualmente franca, quando concluiu a leitura de  “Fatos Pitorescos da História”, arrematou: “Você já produziu coisa melhor”.

Diante da propriedade inconteste dos veredictos, fazer o quê? Nem os renomados vates estão isentos da censura daqueles que os ouvem ou que os lêem.  O padre Antônio Tomás, príncipe da poesia cearense, conta em seu soneto, Um Poeta Liquidado, que, convidado pelo cura para pregar em uma certa freguesia, foi fazer o seu sermão convicto de que a empresa lhe seria fácil, e,  embora não pretendesse fazer figura, nem colher aplausos, assumiu o propósito de não  descer da altura do conceito que de si faziam e conservar a fama de seus versos, mas foi “bobage”...

“Pois ouvindo o sermão, uma assistente.

Decretou a sorrir piedosamente:
- o poeta, coitado, deu na laje.

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