
Lindovan Oliveira e Pedro Lavor líderes de bancadas avaliaram o desempenho do legislativo local – Foto DIVULGAÇÃO
Com o fim do primeiro semestre dos trabalhos legislativos e a perspectiva pela retomada das atividades da Câmara Municipal de Iguatu (CMI) programada para o próximo dia 03, a Reportagem do A Praça entrevistou os vereadores Pedro Lavor (PSD) e Lindovan Oliveira (PSB) líderes das bancadas situacionista e oposicionistas respectivamente. Os parlamentares destacaram o desempenho de suas bancadas, articulação para votação de pautas que devem chegar a casa e cumprimento do papel fiscalizador.
A Praça – Como avalia os trabalhos desempenhados na casa de modo geral nesses seis primeiros meses?
Lindovan Oliveira: Podemos dizer que cumprimos o nosso papel até onde foi possível. Estamos ainda num período de pandemia e isso dificultou os debates na casa e até uma análise melhor dos projetos que tramitaram neste primeiro período do legislativo, assim como as sessões de forma virtual também. Foram motivos de dificuldades na execução e debate de vários projetos dentro do legislativo. Estamos retornando do recesso nesse início de agosto, de forma presencial, e acho que o dinamismo na casa deve voltar ao seu normal. E nós vamos continuar firmes, cobrando os direitos das pessoas.
Pedro Lavor: Foi um primeiro semestre de muitas dificuldades por conta da pandemia, porém de muitos resultados positivos. Durante o período tivemos a oportunidade de discutir, votar e aprovar muitos projetos de interesse da população, a grande maioria oriunda do poder executivo. Destaco com muita propriedade e satisfação o projeto Iguatu pela Vida que beneficia centenas de famílias neste período pandêmico, matéria essa aprovada por unanimidade. Devemos destacar também que discutimos, votamos e aprovamos vários projetos de interesse do poder legislativo, muitos deles elaborados pelos próprios vereadores. Esperamos um segundo semestre ainda mais positivo, principalmente levando-se em consideração a possibilidade de voltarmos com as nossas sessões 100% presenciais.
A Praça – Dentro da bancada, como pondera a participação do seu grupo? Há planejamento para apresentação de pautas nesses próximos meses?
Lindovan Oliveira: Nosso grupo hoje, formado por cinco parlamentares, está afinado. Defendemos propostas semelhantes, temos inúmeros problemas na cidade a serem solucionados e, com certeza, serão alvos de nossas cobranças, como melhorias na saúde, na educação, na infraestrutura e uma solução para a água do SAAE, um problema que consideramos inadmissível. Tanto tempo e a população sendo prejudicada, tendo que consumir um produto de péssima qualidade.
Pedro Lavor: Pelo fato de sermos situação é bem verdade que o nosso compromisso é ainda maior para com o povo. Somos mais cobrados, vamos dizer assim. Por ser também a maior bancada na Câmara é possível e compreensível haver divergência em algumas discussões de matérias, porém, no final, é comum unificarmos as votações levando-se em consideração que a maioria vence. Acho justo esse comportamento porque somos um grupo. Posso garantir que temos uma bancada unida onde é respeitado o ponto de vista de cada um.
A Praça – Parcela da população mostra-se insatisfeita com o desempenho prático do legislativo local. Como enxerga as críticas ao parlamento e a que credita esse posicionamento?
Lindovan Oliveira: A nossa bancada tem sido bastante crítica com relação a determinados assuntos, projetos que chegam a esse parlamento e não segue o rito normal, muitas vezes nem mesmo os vereadores têm tempo hábil para avaliação e informações mais precisas sobre determinados assuntos e projetos, imagine a sociedade, que muitas vezes precisa ser ouvida seja no plenário ou através de audiências públicas. Mas a população tem suas razões quando cobra mais do legislativo, até porque o vereador é aquela pessoa que tem mais proximidade no dia a dia com o povo. É natural as cobranças, mas muitas vezes se tornam um pouco injustas, já que as demandas que recebemos são repassadas para o gestor municipal, que tem por obrigação resolvê-las. E isso na maioria das vezes não acontece. E nós temos sempre cobrado.
Pedro Lavor: É difícil agradar a todos, principalmente agora por conta de tantas notícias de corrupção envolvendo os políticos. A população fica desacreditada. Se o problema é verificado no âmbito nacional ou estadual, o eleitor ou grande parte da população não perdoa, muitas vezes sobrando para quem está na parte de baixo, no caso os vereadores. Sou consciente que apesar das dificuldades eu e meus pares na Câmara temos procurado desenvolver um trabalho eficiente capaz de mudar a qualidade de vida de todos.
A Praça – Como entende que o parlamento possa ser protagonista das ações da cidade?
Lindovan Oliveira: Esse é o papel essencial do legislativo, ser proativo, buscar interação entre o poder legislativo e a comunidade de um modo geral através de ações concretas, sejam nos debates dos projetos seja através de requerimentos apresentados, seja na busca de soluções para os problemas gritantes de uma população. O vereador, no seu dia a dia de trabalho, é aquela pessoa que fica mais próxima do povo, que recebe as demandas das comunidades rurais e urbanas das lideranças e nós, como estamos nessa linha de frente, terminamos realizando ações inerentes ao próprio gestor municipal. Não é fácil separar as coisas.
Pedro Lavor: Muitos não credenciam, mas o parlamento local tem papel importante no desenvolvimento da cidade. Muitas obras que estão em andamento no município e outras que estão por vir dependem da aprovação dos vereadores através dos projetos encaminhados à câmara. Cada projeto precisa ser aprovado para ser desenvolvido. As políticas públicas que estão em prática e ajudando muitas pessoas na melhoria da qualidade de vida tem a nossa participação, ou seja, o parlamento é protagonista e parceira das coisas boas que acontecem na cidade. É bem verdade que tem vereador que tenta barrar os grandes projetos, mas a grande maioria faz parte da construção e reconstrução da nossa cidade.
A Praça: Foram meses de apreciação de matérias polêmicas, de concessão de cidadania ao presidente Bolsonaro e outra que envolvia o tema antiaborto. Na sua visão, o parlamento se portou bem diante desses assuntos?
Lindovan Oliveira: Olha, nós entendemos que há momentos adequados para a discussão de determinados temas. O título de Cidadania para o presidente Bolsonaro foi colocado num momento, considerado por nós como impróprio, por conta da pandemia. Quanto ao debate de temas polêmicos, no caso do projeto antiaborto, entendemos que deve haver um debate mais amplo, a sociedade precisa opinar, participar mais.
Pedro Lavor: Somos 17 cabeças pensantes eleitas pelo povo através do voto popular. É possível que numa votação ou outra agrademos ou não o nosso eleitorado ou parte da população. Tudo é uma questão de interpretação. Em relação ao título de cidadão concedido ao presidente Bolsonaro poderíamos ter amadurecido mais a ideia. Acho que o projeto não chegou em boa hora por conta da baixa popularidade do presidente em Iguatu e porque não dizer, no Nordeste. É comum conceder este tipo de honraria ao chefe da nação. Não sei dizer até que ponto foi importante ou não recuarmos de uma decisão tomada em comum acordo pela grande maioria. A Câmara é o local apropriado para se abrir debates acalorados ou polêmicos como a matéria que envolvia o antiaborto, por exemplo. Precisamos discutir todas as matérias que mexem com as necessidades da população, mesmo aquelas indesejáveis. Na minha avaliação, daria nota 8 aos trabalhos desenvolvidos pelo parlamento iguatuense neste primeiro semestre, mesmo sabendo que alguns discordam do meu pensamento. Faz parte!
A Praça – Na sua essência o parlamento deve aplicar a sua função fiscalizadora. Dentro do seu grupo há consenso que esse fundamento ocorreu?
Lindovan Oliveira: Veja bem. Hoje, de 17 parlamentares, doze estão na base do prefeito Ednaldo. A mesa diretora, temos na sua presidência, a vereadora Eliane Braz, que é esposa do prefeito. Sem querer fazer juízo de valor, mas as próprias circunstâncias dificultam ações mais concretas da oposição. Não temos acessos a documentos da gestão do prefeito Ednaldo, como contratos de aluguéis de veículos, coleta de lixo, iluminação pública e outros. No que depende da equipe, temos feito o papel, que é solicitar do Ministério Público a ações que nos auxilie na busca de uma administração mais transparente e justa.
Pedro Lavor: A função do parlamento não é apenas fiscalizar o poder público, vai muito mais além, aliás, o trabalho de fiscalização dos gastos públicos pode ser feito por qualquer vereador, seja ele de situação ou oposição. Os balancetes e prestações de contas da Prefeitura, por exemplo, são enviados mensalmente à Câmara Municipal. A documentação é de fácil acesso aos parlamentares. Acredito que todos acompanham e fiscalizam de que forma o dinheiro público está sendo utilizado. Qualquer eleitor ou cidadão de Iguatu pode abordar o seu representante no poder legislativo para saber se ele tem feito ou não esse trabalho. Como destaquei, o trabalho do vereador e do parlamento não se limita à função de ser um mero fiscalizador.
A Praça – Os bastidores já mostram que parlamentares devem ser protagonistas nas eleições de 2022. O que é planejado nesse sentido dentro da sua ala?
Lindovan Oliveira: Olha, a política, na sua forma geral, é feita sempre de estratégias. Hoje a base de oposição, composta por cinco parlamentares, segue as diretrizes de uma liderança, no nosso caso é o deputado Agenor Neto e o ex-prefeito e atual secretário executivo da SRH, Aderilo Alcântara. Por enquanto o grupo se encontra na fase preliminar de discussão, de conversas. No entanto, da nossa parte, achamos muito cedo para pensarmos em política para 2022, até porque há problemas mais sérios e urgentes a serem resolvidos.
Pedro Lavor: Na verdade não existe planejamento. O que existe é um desejo muito grande da população de Iguatu e da Região Centro-Sul do Ceará ter um representante na Câmara Federal, a partir de 2023 que seja filho da terrinha. Os bastidores apontam que esse nome pode ser o da atual presidenta da Câmara Municipal e primeira dama do município, Eliane Braz. O nome da Eliane surgiu naturalmente a partir da população. O próprio prefeito Ednaldo Lavor, o nosso líder político, ainda não falou conosco a respeito dessa possibilidade. O que sabemos é que Eliane está à disposição e que se esse for o desejo do povo e do seu partido ela aceita encarar o desafio. Na minha opinião, Iguatu e Região estão preparados para eleger esta grande mulher de coragem e de fibra. Desde de já, Eliane Braz conta com o nosso apoio e trabalho.
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