As ruas do meu Iguatu

18/04/2020

Américo Neto (Professor)

As ruas do meu Iguatu possuem um ar de tardes longas… um perfil de sol depois da chuva… leveza que precisamos ter aos sábados pela manhã…

O Abrigo Metálico, a Galeria Gustavo Correia, a feira na rua do mercado, tradicional no sábado e o povo sofrido, mas trabalhador e na fé sente alegria de viver…

Aqui nessas passagens sinto o som de Humberto Teixeira, a seresta de Evaldo Gouvêa, Assis Galdino e nessa Lagoa da Telha vejo o passado e o presente se encontrarem….

Como é bom por aqui vagar…. olhando o povo na feira, tomar caldo de cana, uma cachaça e a brincadeira, vai até o final da tarde… Meu Iguatu querido, quando longe de ti estou sinto uma saudade tremenda e Humberto disse que “o remédio é cantar’… Não quero sair daqui… essa terra me fascina e tenho apego a esse chão…

Essas ruas possuem a poesia que não sei dizer…. as minhas peraltices quando ia estudar no São José, o Prado quando chovia ficava com o campinho de futebol atrás da igreja inundado… Maria Paula criava um monte de gato e todo sábado dizia que ia casar com um político conhecido, novo e bonito da cidade. O carro preto! Vixe! O cano da CIDAO soltava fumaça e muita gente na Coronel José Adolfo tinha sinusite.

As Pedrinhas… eita… todo menino queria crescer pra ir até lá… meu pai comprou uma Kombi da Escola Brasil, tinha o nome da escola na lateral, seu João, dono do colégio, pediu pra pai tirar…. o velho, meu pai, ia nas Pedrinhas todo fim de tarde…

Essas ruas já viram uns cabras valentes… não é bom nem falar…. uns dão orgulho, outros até o diabo manda pra lá, sabe lá onde… O Rio Jaguaribe, já foi Rio da Onça, já viveu dias caudalosos. Meu amigo Neto Braga é um Dom Quixote na luta pra salvar essa maravilha que depois de Jucás corta o nosso Iguatu…

Eu sinto esse lugar…. nas ruas e becos dessa cidade, é sempre lá, que irei estar, nesse mundo de meu Deus, Iguatu é o meu bel-prazer… é a porta sempre aberta que quero ver e entrar…. Aqui estão meus sentimentos, os meus que partiram, quem amei, quem amo e quem vou amar… Um dia, quando jogando no esquecimento e no destino infalível de todos os homens, desejo que alguém, parente ou conhecido, só pelo fato de lembrar de mim, se lembrar, diga que cada esquina, beco, praça e rua dessa cidade parecem um pouco comigo…. no fundo do esquecimento o meu ser, havendo isso, estará sorrindo…

Esse sentimento é fato, sentido e vivido, amo esse lugar…

MAIS Notícias
Elze Lima Verde Rocha Bezerra (1926 – 2025)
Elze Lima Verde Rocha Bezerra (1926 – 2025)

José Hilton Lima Verde Montenegro   É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento da prima Elze Lima Verde Rocha Bezerra. Sua partida deixa um vazio imenso em nossos corações e em nossa cidade. Elze foi uma mulher honrada, cuja vida foi marcada por...

Penha, relicário das saudades do meu tempo de menino
Penha, relicário das saudades do meu tempo de menino

Ivan Lima Verde Março de 2025   Crônica memorialista e sentimental de Ivan Lima Verde, escrita em louvor à Penha e aos 99 anos de Elze Rocha Bezerra.   Apesar de criado e educado na cidade grande de Fortaleza, tenho a alma sertaneja, porque forjada nas...

Cidade Mais Habitável
Cidade Mais Habitável

Paulo Cesar Barreto Arquiteto e Urbanista   O Padre Antônio Vieira, admirável por empregar o dom de sua aguçada oratória em defesa e valorização dos jumentos sertanejos, um exemplo de sublimação ao que praticava São Francisco de Assis, escreveu em seu livro...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *