A empatia e o lucro

30/05/2020

Erbson Lima (Graduado em Economia pela URCA)

Os economistas usam uma premissa ao fazerem suas análises econômicas que diz que nas nossas escolhas há sempre um “trade off”; numa tradução coloquial seria o mesmo que o custo-benefício. Isso nos diz que ao escolher comprar um carro, deixa-se de investir o valor em um certificado de depósito bancário (CDB), por exemplo. Ultimamente, tenho refletido que também existe um pequeno “trade off” entre a empatia e o lucro. Sem levar em consideração as explorações exacerbadas de relações de trabalho pelo mundo, poderemos considerar apenas relações entre agentes econômicos em que há o mínimo de dignidade na troca comercial.

Conversando com um colega sobre como aplicar nossos recursos que sobram das despesas básicas, já que só se investe quando sobra algo depois de atender as necessidades vitais. Chegamos à conclusão: somos um “abutre em potencial”. Esperamos o momento da tragédia alheia para aviltarmos algumas moedas. Questionei-o acerca de como fica a empatia quando se lucra em meio ao caos alheio. Ele parcimoniosamente me respondeu: “Que alguém o fará, se eu não o fizer”. Nesse ínterim, falávamos sobre agiotagem: atividade muito comum nas periferias das cidades e nos interiores. Há um distanciamento de uma parte da população do sistema financeiro, em virtude da inserção dos agentes deficitários nos órgãos de proteção ao crédito. Enquanto o papo rolava, acompanhado de uma boa cerveja, discutíamos a ética e a moral dos que “lucram”. Sempre tive um pensamento meio negativo acerca dessa atividade tão antiga. Tenho-me questionado sobre até que ponto somos empáticos, se usarmos o lucro como fim da atividade profissional/ econômica.

O lucro é o fim de quase toda atividade econômica. Até mesmo o setor público usa o lucro como indicador da eficiência da gestão pública, porquanto o setor público tem como atividade primária o bem coletivo e a prestação de serviços públicos. É normal qualquer atividade econômica ter o lucro como termômetro. O imbróglio começa quando percebemos que as relações entre agentes econômicos estão totalmente mecanizadas pela ótica capitalista. Ora, como manter a empatia se em alguns casos a tristeza alheia é minha alegria? Teríamos que ter valores culturais e morais fortes para nos afastar dessa busca incessante pelo lucro. Margeados por valores monetários, como já disse o “barba”, é muito difícil se colocar no lugar do outro. Assim, o capitalismo tornou as relações humanas em meras relações monetárias.

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