Com o propósito de materializar e eternizar o legado de Dom José Mauro, um grupo de amigos somam o desejo de transformar o lugar em que o primeiro bispo de Iguatu passou mais de 20 anos. A ideia é que casa localizada nas imediações da praça Alcântara Nogueira se torne sede do instituto que levará o nome de quem marcou época na vida religiosa da comunidade católica da diocese de Iguatu. Amigos e pessoas do convívio próximo ao religioso se encontraram na residência no feriado de Corpus Christi, quinta-feira, 11.
A ideia vem sendo trabalhada desde janeiro. Uma rede maior de pessoas manifesta o mesmo desejo, mas por razões de prevenção sanitária, impostas pela ameaça da pandemia do coronavírus, não pôde estar presencialmente. A ideia é preservar o espaço com um memorial. Lá ainda estão móveis, roupas, fotografias históricas e manuscritos. O grupo espera catalogar todas as peças e tornar um lugar de visita para população interessada em conhecer mais do bispo. “Aqui chegaram principalmente os pobres, necessitados de pão, de escuta, de palavra boa, de abraço, de uma boa e feliz gargalhada. Assim foi o homem e pastor Dom Mauro. Assim precisamos e queremos ser na missão que assumimos agora, neste dia santo de Corpus Christi”, disse o advogado e professor Ivo Ferreira, um dos que participaram do encontro.

O local pertence à diocese que inicialmente pretendia colocar no mercado de imóveis para futuros aluguéis. A medida foi revista após intervenção do grupo. “Queremos clarear os novos pontos para um projeto sólido e de impacto futuro. Em meio a uma sociedade burocrática, temos que alinhar os pontos e formalizar a criação e nos respaldarmos juridicamente”, afirmou Zé Vicente, cantor e compositor.
Participaram do encontro, Socorro Pinheiro, coautora do livro ‘Bom Pastor’ que tem como tema central a vida do religioso; José Duquesa, Marconi de Oliveira e Fátima Sobreira. O espaço amplo e arejado servirá ainda conforme o grupo para acolher, relembrar e atualizar, celebrar pequenas histórias. De pessoas que cheguem para recordar, estudar, plantar e levar sementes nativas, refletir e desfrutar, somar nos cuidados, da fonte histórica e memorial.
Legado
José Mauro Ramalho de Alarcon e Santiago nasceu em 14 de maio de 1925 na cidade de Russas-CE, fez seus estudos eclesiásticos no Seminário da Prainha em Fortaleza onde ingressou em 1937, concluindo o curso de seminário maior em 1948 quando foi ordenado sacerdote por Dom Aureliano Matos, bispo da diocese de Limoeiro do Norte.
Designado pelo Papa João XXIII, Dom Mauro chegou a Iguatu no dia 03 de fevereiro de 1962, tomando posse no Trono Episcopal no dia imediato, por ocasião da solenidade litúrgica em que se procedeu a Ereção Canônica da Diocese de Iguatu.
Após 38 anos de serviços ininterruptos, Dom Mauro, por decisão papal do Papa João Paulo II, no dia 26 do setembro de 2000, em virtude de ter atingido a compulsória – 75 anos de idade – passou o cajado ao sucessor bispo auxiliar Dom José Doth de Oliveira (in memoriam).
O religioso faleceu no dia 09 de dezembro de 2019, após 71 anos de sacerdócio. O bispo carrega em sua história ter participado de campanha e mobilizações dentre elas a em prol das indenizações dos antigos proprietários da bacia do açude Trussu e funcionamento da Faculdade de Ciências e Letras de Iguatu – FECLI.
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