O filósofo alemão Georg Hegel (1770-1831) errou profundamente ao afirmar que cada tempo tem sua verdade. Que a verdade é relativa e ligada à historicidade. Cada povo, segundo ele, com sua ideia do verdadeiro. Cada tempo, numa sequência sempre positiva e de progresso, construindo a verdade e o autoconhecimento. A histórica como centro da filosofia. Tolos e errados pensamentos. Não por acaso Hegel foi o pai do Marxismo e de toda a detestável Esquerda. Hegel foi o pai de todos os erros. Pater omnium errorum fuit!
Eu asseguro, leitor: existem verdades atemporais; existe o Homo Atemporalis. Motivações, mundividências, medos, anseios que permeiam todas as épocas. A verdade não é relativa, histórica. O ciúme de Otelo, a investigação do Ser em Hamlet, a religio de Virgílio e de Dante são sentimentos de todos os tempos, enquanto o homem estiver sobre a terra.
Hegel, os marxistas et ali fizeram o Ocidente errar ao afirmarem que a Humanidade caminha em uma escala progressiva, construtiva, sempre para um futuro de crescimento. Melhorando sempre. Erro absurdo! Não nos enganemos com as frias tecnologias e algum conforto que o nosso férreo tempo nos oferece.
O homem não melhorou ao longo do tempo. Não caminhamos, no sentido moral e espiritual, para a evolução. Não estamos construindo o Bem, o Belo e o Justo. Não melhoramos para nós mesmos e para o nosso semelhante. É ruim este século em que vivemos. O anterior foi péssimo. Por muito pouco (vide a Crise dos Mísseis na insípida Cuba) o homem não se destruiu e toda a civilização. Duas carnificinas mundiais. Pobreza e fome. Erraste muito, velho Hegel! Não é a História um percurso positivo e linear. Olhar para trás, voltar ao que se perdeu, tentar recuperar áureos momentos, eis o que poderia trazer plenitude e verdade.
Qualquiera tiempo pasado\fué mejor. Mesmo que não concordemos de todo com os versos do velho poeta espanhol Jorge Manrique, devemos aceitar que houve épocas muito melhores – moral, cultural e espiritualmente – do que os nossos degradantes dias. Nossos valores morais são decaídos. Nossa cultura é cretinizada. Nosso espírito é vulgar e pecaminoso.
Deveras fué mejor o passado. Nunca mais teremos os áureos séculos da Hélade. Nunca mais a aetas magna de Augusto. Nunca mais o fervor religioso e o contanto com Deus que a Idade Média revelava. Nunca mais o refinamento das cortes de Versailles, da gloriosa Rússia dos Czares. Nunca mais o verdadeiro siècle d’or da literatura, o século XIX.
Pauperas umbrae sumus,somos pobres sombras.
Professor Doutor Everton Alencar
Professor de Latim da Universidade Estadual do Ceará (UECE-FECLI)
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