O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical de Fortaleza, divulgou recentemente os resultados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) referentes ao caju nos três maiores estados produtores: Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. No Ceará, entre os maiores produtores, Beberibe ocupa o primeiro lugar, seguido por Bela Cruz, Cascavel, Aracati e Fortim. Apesar de maior produção se concentrar na região Litorânea, pequenos produtores em outras cidades cearense também apostam na cajucultura.
Em Iguatu, é tímida a produção do fruto, apesar de incentivos com distribuição de mudas pelo programa da Secretaria de Desenvolvimento Agrário – SDA, através da EMATERCE.
Um desses plantios fica no Sítio Tanque, uma das maiores áreas cultivadas em Iguatu com mais de 120 plantas. O produtor rural Herisberto Fernandes cultiva as variedades comum e anão-precoce. Desde que comprou a propriedade em 2009, passou a investir na produção da planta. “Umas das melhores safras foi em 2011 quando chegamos a colher 22 sacas de 60kg quilos de castanha. Mas a produção nos oito últimos anos caiu em consequência da seca. A safra passada voltou a melhorar, foram colhidos cerca de mil quilos de castanha”, ressaltou, esperando um bom inverno para poder ajudar no desenvolvimento das plantas que produzem no período de entressafra, após o inverno.
Na propriedade, a produção do caju é destinada para consumo interno e parte para criação de animais, somente a castanha é comercializada. “Na época de colheita, aumenta o trabalho por aqui, quando está mesmo no período da safra a gente colhe caju demais. Tudo só pra consumo daqui mesmo. A fruta é aproveitada pra tudo e a gente doa pra muita gente. E os que caem no chão a gente lava e dá para os animais. Não se desperdiça. E a castanha é vendida”, afirmou o caseiro Gilson Júnior.
Em Iguatu, não se tem um levantamento do total de área produtiva destinada somente ao caju. A planta é cultiva por pequenos produtores. Mas na região do Sítio Tanque, nos últimos dez anos, surgiram novas áreas de cultivo do fruto. “Aqui já teve muito pé de caju, assim nas casas, pessoal que tinha apanhava um balde e outro. Mas ter assim com grande produção vem sendo feita pelo Herisberto. Aqui é comum as casas ter um pé no terreiro”, destacou o agricultor José Bento Silva.
Hora de Plantar
De acordo com os resultados divulgados, pelo IBGE e pela Embrapa Tropical, ano passado o país apresentou uma produção de cerca de 138 mil toneladas de castanha de caju, e apenas onze estados obtiveram colheita do produto. O Ceará conseguiu a maior produção, cerca de 85 mil toneladas, representando 61,3% desse total, seguido pelo Piauí com cerca de 23 mil toneladas, correspondendo a 16,6% e o Rio Grande do Norte, com 17 mil toneladas, 12,5%.
No Ceará a EMATERCE desenvolve, desde 2007, um projeto que visa à expansão e recuperação da cajucultura no estado, com a distribuição de mudas da variedade anão-precoce. Só no primeiro ano foram entregues 1,1 milhão de mudas. Um dos objetivos do programa é fazer com que os produtores realizem a substituição do cajueiro antigo, menos produtivo por variedade geneticamente modificada de alta produtividade. As mudas são distribuídas pelo programa Hora de Plantar. De acordo com o escritório da EMATERCE local de 450 mudas de cajueiro-anão precoce serão distribuídas ainda este ano tão logo sejam recebidas.
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